Departamento do Estado deve pressionar por justiça após homem negro ser morto por seguranças no mercado Carrefour

O Instituto Internacional sobre Raça, Igualdade e Direitos Humanos (Raça e Igualdade) e o Washington Office on Latin America (WOLA) juntam suas vozes aos milhares de brasileiros que pedem justiça pelo assassinato de João Alberto Silveira Freitas em 19 de novembro em Porto Alegre, Brasil. De acordo com vídeos que circularam nas redes sociais, Silveira Freitas foi espancado até a morte por seguranças do Carrefour após uma suposta desavença entre Freitas e os guardas.

Este episódio é apenas um dos muitos atos de violência cometidos contra os afro-brasileiros. Infelizmente, aconteceu um dia antes do Dia da Consciência Negra no Brasil. Neste dia, os brasileiros homenageiam Francisco Nzumbi, mais conhecido como “Zumbi dos Palmares”, que no final dos anos 1600 fundou o Quilombo do Palmares, uma comunidade de pessoas que resistiam à escravidão. Em vez de aproveitar esta oportunidade para exortar os brasileiros a examinar a conexão que existe entre o racismo sistêmico e a violência no país, os líderes do país foram rápidos em minimizar esse assassinato. No sábado, o presidente Jair Bolsonaro afirmou na cúpula do G-20 que alguns estão tentando destruir a diversidade do Brasil “alimentando a divisão racial … minando a luta pela igualdade”. No dia anterior, o vice-presidente Hamilton Mourão afirmou à imprensa que “não há racismo no Brasil”.

Em um país onde os afro-brasileiros têm três vezes mais probabilidade do que outros brasileiros de serem vítimas de homicídio, essas declarações desdenhosas são problemáticas. Para seu crédito, o CEO francês do Carrefour, Alexandre Bompard, afirmou que as medidas internas tomadas até agora em relação ao relacionamento com a empresa de segurança são insuficientes e clamou por ações mais abrangentes. O Carrefour Brasil demitiu a empresa de segurança e está pressionando para que os guardas sejam legalmente responsabilizados por suas ações.

O governo dos EUA, como parte do Plano de Ação Conjunta EUA-Brasil para Eliminar a Discriminação Étnica e Racial, deve pressionar o Brasil a ser autocrítico quando se trata deste incidente, buscar justiça e encorajar o país a avançar nos esforços para o combate ao racismo.

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