{"id":12961,"date":"2019-08-20T22:29:40","date_gmt":"2019-08-20T22:29:40","guid":{"rendered":"http:\/\/race01.wp\/resources\/sankofa-voltar-ao-passado-para-ressignificar-o-presente-realidade-das-mulheres-negras-trans-e-travestis-no-brasil\/"},"modified":"2023-08-04T18:15:22","modified_gmt":"2023-08-04T18:15:22","slug":"sankofa-voltar-ao-passado-para-ressignificar-o-presente-realidade-das-mulheres-negras-trans-e-travestis-no-brasil","status":"publish","type":"resources","link":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/resources\/sankofa-voltar-ao-passado-para-ressignificar-o-presente-realidade-das-mulheres-negras-trans-e-travestis-no-brasil\/","title":{"rendered":"SANKOFA &#8220;VOLTAR AO PASSADO PARA RESSIGNIFICAR O PRESENTE&#8221;: REALIDADE DAS MULHERES NEGRAS, TRANS E TRAVESTIS NO BRASIL"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Brasil, 20 de agosto de 2019.<\/strong> \u00a0Com a presen\u00e7a de mulheres negras, trans, travestis e defensoras p\u00fablicas do Brasil, realizou-\u00ad\u2010se, nos dias 15 e 16 de agosto, o F\u00f3rum SANKOFA, um espa\u00e7o de interc\u00e2mbio e di\u00e1logo em luta e defesa da justi\u00e7a racial e de g\u00eanero. &#8220;Sankofa&#8221;, palavra africana que simboliza um p\u00e1ssaro de duas cabe\u00e7as, \u00e9 o nome do F\u00f3rum, que, entre outras coisas, significa &#8220;Voltar ao passado para ressignificar o presente&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O espa\u00e7o, organizado pelo Instituto Transformar, ANTRA, CEJIL, Criola, N\u00facleo de Direitos Humanos da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Rio de Janeiro, Forum Justi\u00e7a, F\u00f3rum Estadual de Mulheres Negras, Defensoria P\u00fablica e Race and Equality, tamb\u00e9m contou, a convite desta \u00faltima organiza\u00e7\u00e3o, com a participa\u00e7\u00e3o especial da Comiss\u00e1ria Margarette May Macaulay, Relatora de direitos das Mulheres e dos Direitos dos Afrodescendentes e contra a Discrimina\u00e7\u00e3o Racial da Comiss\u00e3o Interamericana de Direitos Humanos, CIDH.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para Bruna Benevides, secret\u00e1ria de articula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da ANTRA: &#8220;O F\u00f3rum SANKOFA, \u00e9 um espa\u00e7o de (des)constru\u00e7\u00e3o que foi realizado na sede Defensoria P\u00fablica com o apoio e articula\u00e7\u00e3o de Race and Equality, que possibilitou a movimenta\u00e7\u00e3o e inclus\u00e3o de v\u00e1rios agentes e institui\u00e7\u00f5es, mas principalmente a participa\u00e7\u00e3o da Comiss\u00e3o Interamericana de Direitos Humanos na pessoa da Comiss\u00e1ria Margarete May Macaulay. Sua presen\u00e7a nos permitiu n\u00e3o nos sentirmos desamparadas e construir coletivamente uma narrativa que atravesse fronteiras e barreiras territoriais e leve ao debate a import\u00e2ncia da inser\u00e7\u00e3o internacional e a luta de pessoas que sempre resistiram&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O f\u00f3rum foi nutrido pelas vozes e hist\u00f3rias de ativistas, acad\u00eamicas, defensoras de direitos humanos, comunidades quilombolas, travestis, prostitutas e pessoas trans de v\u00e1rias favelas do Bras\u00edl, que expuseram em voz alta a situa\u00e7\u00e3o atual de seus direitos humanos diante da onda de viol\u00eancia que o pa\u00eds vive especialmente para esses grupos historicamente discriminados e marginalizados.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\">\u201cDar acesso \u00e0 justi\u00e7a deve significar dar dignidade a vidas\u201d<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante os dias da reuni\u00e3o, os\/as participantes discutiram as possibilidades que existem para o pleno exerc\u00edcio e garantia de seus direitos, destacando que um estado de racismo, discrimina\u00e7\u00e3o e extrema viol\u00eancia continua em vigor, em que a pol\u00edtica de &#8220;branqueamento&#8221; socialmente aceita minimiza a vida dos negros e naturaliza um estado de privil\u00e9gios para os brancos no pa\u00eds. com isso, a comunidade LGBTI negra \u00e9 impossibilitada de participar de espa\u00e7os de poder. De acordo com F\u00e1tima Lima, &#8220;brancos e cisg\u00eaneros precisam dar espa\u00e7o para negros e pessoas trans ocuparem os espa\u00e7os de poder&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201cO estado de exce\u00e7\u00e3o sempre existiu no Brasil, porque sempre foi leg\u00edtimo matar corpos negros, corpos trans\u201d, diz F\u00e1tima Lima, professora de estudos \u00e9tnico-\u00ad\u2010raciais.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante o F\u00f3rum, Bruna Benavides entregou oficialmente \u00e0 Comiss\u00e1ria Macaulay o mais recente relat\u00f3rio sobre assassinatos e viol\u00eancia contra a popula\u00e7\u00e3o trans e travesti no Brasil -\u00ad\u2010 documento que evidencia um n\u00famero preocupante de assassinatos dessa popula\u00e7\u00e3o, invis\u00edvel pela m\u00eddia nacional, que continua a colocar o pa\u00eds no primeiro lugar onde mais assassinatos de pessoas trans s\u00e3o cometidos anualmente em todo o mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sobre o relat\u00f3rio, Mariah Rafaela, integrante do Instituto Transformar e do Conex\u00e3o G, afirma: \u201cExiste um sistema que permite a morte de pessoas trans e negras. A no\u00e7\u00e3o de justi\u00e7a deve surgir da experi\u00eancia de pessoas que n\u00e3o t\u00eam dignidade m\u00ednima para viver. Dar acesso \u00e0 justi\u00e7a deve significar dar dignidade a vidas\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por sua vez, Alessandra Ramos, do Instituto Transformar, ressaltou a necessidade de avan\u00e7ar na ressignifica\u00e7\u00e3o do que implica ser uma mulher negra e trans, a partir das experi\u00eancias e representa\u00e7\u00f5es das pessoas que habitam esses corpos, superando a caracteriza\u00e7\u00e3o das pessoas brancas, justamente por efeitos diferenciados por ra\u00e7a e identidade que historicamente atravessam essas mulheres no pa\u00eds. Da mesma forma, Alessandra alertou que, n\u00e3o em v\u00e3o, estima-\u00ad\u2010se que 38% das mulheres trans e travestis no Brasil vivem com o HIV e que o maior percentual est\u00e1 ocorrendo entre essa popula\u00e7\u00e3o do pa\u00eds.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: center;\">\u201cPor favor, trabalhem conosco!&#8221; Margarette Macaulay, CIDH.<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Da mesma forma, no \u00e2mbito do F\u00f3rum, Race and Equality facilitou reuni\u00f5es privadas entre ativistas e a Comiss\u00e1ria Margarette May Macaulay, da Comiss\u00e3o Interamericana de Direitos Humanos, CIDH. Acompanhada do diretor-\u00ad\u2010executivo de Race and Equality, Carlos Quesada, e do consultor LGBTI para Race and Equality no Brasil, a Comiss\u00e1ria pode em primeira m\u00e3o v\u00e1rios casos de viol\u00eancia que ativistas de direitos humanos enfrentam hoje nos lugares mais marginalizados do pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre os depoimentos dos participantes, temas como mutila\u00e7\u00e3o em crian\u00e7as intersex, a situa\u00e7\u00e3o do HIV entre jovens no Brasil, o aumento do assassinato de mulheres l\u00e9sbicas, as dificuldades das pessoas LGBTI no acesso \u00e0 sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, trabalho decente e espa\u00e7os de participa\u00e7\u00e3o. Esses temas foram abordadso constantemente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEu n\u00e3o sou apenas negra: sou travesti, sou pobre, moro na favela. Meu ativismo come\u00e7ou desde que nasci, porque de l\u00e1 eu luto para sobreviver\u201d (Gilmara Cunha, presidenta do Conex\u00e3o G).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Comiss\u00e1ria Macaulay fez refer\u00eancia \u00e0 d\u00edvida hist\u00f3rica que o Estado brasileiro tem com os afrodescendentes v\u00edtimas da escravid\u00e3o, situa\u00e7\u00e3o que ainda persiste na estrutura social do pa\u00eds, devido \u00e0s hierarquias sociorraciais que impedem o acesso e pleno\u00a0 \u00a0gozo\u00a0 \u00a0dos\u00a0 \u00a0direitos\u00a0 \u00a0de\u00a0 \u00a0comunidades\u00a0 \u00a0afro-\u00ad\u2010brasileiras.\u00a0 \u00a0Da\u00a0 \u00a0mesma\u00a0 \u00a0forma,\u00a0 \u00a0a Comiss\u00e1ria da CIDH indicou a responsabilidade e obriga\u00e7\u00f5es que o Estado tem como garantidor das pessoas independentemente da condi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por outro lado, Macaulay destacou a import\u00e2ncia de organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil oferecerem informa\u00e7\u00f5es detalhadas \u00e0 Comiss\u00e3o sobre casos de viol\u00eancia que permitam explicar a situa\u00e7\u00e3o de viola\u00e7\u00e3o sofrida pela comunidade Afro e LGBTI no pa\u00eds. Por isso, enfatizou sobre a import\u00e2ncia de trabalhar juntos para superar a grave crise dos direitos que o Brasil enfrenta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Da mesma forma, Carlos Quesada, diretor-\u00ad\u2010executivo de Race an Equality, reiterou nos espa\u00e7os de encontro o compromisso que representa, para o Instituto, o acompanhamento na documenta\u00e7\u00e3o de viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos e fortalecimento t\u00e9cnico das organiza\u00e7\u00f5es para ter incid\u00eancia nos espa\u00e7os internacionais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O f\u00f3rum SANKOFA, como espa\u00e7o criado para provocar o di\u00e1logo entre a Defensoria P\u00fablica Brasileira e as lideran\u00e7as negras, trans e travestis de movimentos e organiza\u00e7\u00f5es sociais, \u00e9 proposto como cen\u00e1rio para fortalecer institui\u00e7\u00f5es estatais comprometidas com a agenda do movimento social do pa\u00eds; tamb\u00e9m como forma de ampliar as oportunidades de capacita\u00e7\u00e3o e articula\u00e7\u00e3o de lideran\u00e7as em n\u00edvel nacional; e, finalmente, como um recurso que forne\u00e7a informa\u00e7\u00f5es suficientes aos ativistas sobre mecanismos para a prote\u00e7\u00e3o do direito internacional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Declara\u00e7\u00e3o: Race and Equality est\u00e1 comprometida com o acompanhamento de organiza\u00e7\u00f5es sociais no Brasil, para documenta\u00e7\u00e3o, den\u00fancia e visibilidade perante o Sistema Interamericano e Universal de viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos, especialmente de povos afro-\u00ad\u2010brasileiros e pessoas com diversas express\u00f5es sexuais e identidades de g\u00eanero, ainda v\u00edtimas de discrimina\u00e7\u00e3o, marginaliza\u00e7\u00e3o e viol\u00eancia por causa de estruturas sociais que impedem o pleno gozo de seus direitos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Brasil, 20 de agosto de 2019. \u00a0Com a presen\u00e7a de mulheres negras, trans, travestis e defensoras p\u00fablicas do Brasil, realizou-\u00ad\u2010se, nos dias 15 e 16 de agosto, o F\u00f3rum SANKOFA, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":12962,"parent":0,"menu_order":0,"template":"","format":"standard","categories":[],"resources_country":[],"resources_language":[],"resources_audience":[],"resources_format":[],"resources_topic":[],"resources_year":[],"class_list":["post-12961","resources","type-resources","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry"],"acf":[],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/resources\/12961","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/resources"}],"about":[{"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/resources"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/12962"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12961"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12961"},{"taxonomy":"resources_country","embeddable":true,"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/resources_country?post=12961"},{"taxonomy":"resources_language","embeddable":true,"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/resources_language?post=12961"},{"taxonomy":"resources_audience","embeddable":true,"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/resources_audience?post=12961"},{"taxonomy":"resources_format","embeddable":true,"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/resources_format?post=12961"},{"taxonomy":"resources_topic","embeddable":true,"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/resources_topic?post=12961"},{"taxonomy":"resources_year","embeddable":true,"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/resources_year?post=12961"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}