{"id":13097,"date":"2020-07-13T21:39:22","date_gmt":"2020-07-13T21:39:22","guid":{"rendered":"http:\/\/race01.wp\/resources\/orgulho-solidariedade-e-resistencia-oscs-lgbti-brasileiras-realizam-acoes-solidarias-no-combate-a-covid-19-parte-ii\/"},"modified":"2023-08-04T18:08:34","modified_gmt":"2023-08-04T18:08:34","slug":"orgulho-solidariedade-e-resistencia-oscs-lgbti-brasileiras-realizam-acoes-solidarias-no-combate-a-covid-19-parte-ii","status":"publish","type":"resources","link":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/resources\/orgulho-solidariedade-e-resistencia-oscs-lgbti-brasileiras-realizam-acoes-solidarias-no-combate-a-covid-19-parte-ii\/","title":{"rendered":"Orgulho, Solidariedade e Resist\u00eancia:  OSCs LGBTI brasileiras realizam a\u00e7\u00f5es solid\u00e1rias no combate \u00e0 COVID-19 &#8211; PARTE II"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Atrav\u00e9s de artigos e semin\u00e1rios web, o Instituto Ra\u00e7a e Igualdade visa promover um espa\u00e7o de discuss\u00e3o sobre o avan\u00e7o do coronav\u00edrus no Brasil e seu impacto na popula\u00e7\u00e3o afrodescendente, incluindo a popula\u00e7\u00e3o afro-LGBTI. Com isso, convidamos a todes para a leitura da segunda parte e final deste artigo sobre a mobiliza\u00e7\u00e3o das redes LGBTI no combate a fome.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Bahia e Manaus: Aquilombamentos Solid\u00e1rios<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As pr\u00e1ticas negacionistas do atual governo brasileiro face ao surto do coronav\u00edrus, fizeram com que essa mobiliza\u00e7\u00e3o ressoasse por todo o pa\u00eds. Independente da regi\u00e3o do Brasil, a luta pela visibilidade e representatividade LGBTI \u00e9 atravessada tamb\u00e9m pelo direito de existir num mundo sem viol\u00eancia. Frente a esse quadro de exclus\u00e3o que negligencia corpos n\u00e3o normativos, organiza\u00e7\u00f5es LGBTI como o Coletivo LesbiaBahia, de Salvador, e a Associa\u00e7\u00e3o Amazonense de Mulheres Independentes pela Livre Express\u00e3o Sexual (Amiles), de Manaus, atrav\u00e9s de parcerias, conseguiram expandir suas doa\u00e7\u00f5es para diversas fam\u00edlias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para Barbara Alves, diretora do Coletivo LesbiBahia, a pandemia possibilitou a amplia\u00e7\u00e3o do olhar de ativistas e lideran\u00e7as l\u00e9sbicas que se uniram em diversas atividades para enfrentar essa nova realidade e tem se tornado uma pr\u00e1tica constante entre os coletivos. \u201cN\u00f3s vamos nos aquilombar e respeitar tanto as diferen\u00e7as dentro do coletivo, como dentro do pr\u00f3prio segmento as especificidades de cada uma. Ent\u00e3o, essa nova possibilidade de a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica coletiva com esse olhar, com essa expectativa de salvar vidas ela faz a gente inclusive rever as nossas a\u00e7\u00f5es antes mesmo da pandemia\u201d, afirma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A diretora relata que a a\u00e7\u00e3o do LesbiBahia foi realizada em parceria com a OSC Bahia Street, que trabalha com crian\u00e7as e adolescentes e cedeu o espa\u00e7o para a organiza\u00e7\u00e3o das doa\u00e7\u00f5es.\u00a0 Outra parceria fundamental foi com o Fundo ELAS, uma vez que o projeto \u201cCaravana da Sa\u00fade\u201d que consistia em rodas de conversa com meninas l\u00e9sbicas na capital e interior da Bahia e que tinha apoio do ELAS teve que parar por causa da pandemia, o dinheiro do projeto foi revertido para o apoio de l\u00e9sbicas de Salvador durante a pandemia. Segundo Barbara, desse modo, foi poss\u00edvel atender a maior parte das comunidades de Salvador, como Cajazeiras e Itapagibe, al\u00e9m da regi\u00e3o metropolitana abrangendo Lauro de Freitas e Cama\u00e7ari.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em Manaus, regi\u00e3o norte do pa\u00eds, a Amiles, fundada em 2005 e coordenada por Sebastiana da Silva, trabalha a defesa e a promo\u00e7\u00e3o dos direitos humanos da comunidade LGBTI, buscando fortalecendo o segmento l\u00e9sbico, bisexual e trans. Mesmo antes da COVID-19, a Associa\u00e7\u00e3o j\u00e1 promovia eventos beneficentes, como feijoadas solid\u00e1rias para ajudar mulheres l\u00e9sbicas e bissexuais que passam por doen\u00e7as graves, como c\u00e2ncer de colo de \u00fatero e c\u00e2ncer de mama. E como n\u00e3o poderia ser diferente, a pandemia na regi\u00e3o tamb\u00e9m foi um momento de reinven\u00e7\u00e3o e articula\u00e7\u00e3o e, com isso, foi poss\u00edvel desenvolver um trabalho para al\u00e9m da comunidade de Santo Ant\u00f4nio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para Sebastiana, a palavra dessa pandemia foi reinven\u00e7\u00e3o. \u201cEnt\u00e3o assim, a gente se articulou, nos reinventamos para que pud\u00e9ssemos levar ao menos algum alento para as pessoas. Foi muito gratificante, porque quando a gente chega na casa das pessoas para entregar o kit, muitas revelam que est\u00e3o desempregadas ou doentes, sem saber o que fazer. Isso nos gratifica muito porque conseguimos levar a esperan\u00e7a, a renova\u00e7\u00e3o da f\u00e9 e nos solidarizando, sendo resilientes com as nossas manas. A gente sabe que h\u00e1 necessidade de muitas coisas, mas pelo menos um pouquinho a gente levou para elas\u201d, desabafa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ra\u00e7a, Classe e G\u00eanero: a interseccionalidade dos perfis beneficiados em todos os Estados<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre todas as institui\u00e7\u00f5es, o crit\u00e9rio principal era atender pessoas LGBTI que est\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de maior vulnerabilidade durantes essa pandemia. Nesse sentido, a maioria se organizou em fichas cadastrais para que pudessem contemplar, principalmente, as pessoas que se encontram numa situa\u00e7\u00e3o de extrema pobreza e\/ou desempregadas. Deste modo, nas comunidades do Rio de Janeiro, Gilmara Cunha, do Grupo Conex\u00e3o G, revela que as doa\u00e7\u00f5es acabaram por beneficiar toda comunidade de favela e n\u00e3o s\u00f3 a popula\u00e7\u00e3o LGBTI. Essa mesma abrang\u00eancia, pode ser encontrada nos relatos do LesbiBahia, em Salvador, e na Amiles, em Manaus. Todas as lideran\u00e7as reconhecem que ra\u00e7a, classe, g\u00eanero e sexualidade atravessam os perfis cadastrados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Barbara Alves explica que o crit\u00e9rio do LesbiBahia para conceder as doa\u00e7\u00f5es era que a pessoa n\u00e3o tivesse sido beneficiada em nenhum projeto do governo, o que foi feito atrav\u00e9s de uma ficha de cadastro na qual puderam conferir o CPF. Assim, foi poss\u00edvel doar em maio, 30 vouchers de 70 reais e, em junho, atrav\u00e9s de duas a\u00e7\u00f5es, doaram mais 30 vouchers do mesmo valor, com os quais as l\u00e9sbicas puderam ir at\u00e9 uma rede de supermercado da regi\u00e3o e fazer as suas compras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cComo selecionamos as l\u00e9sbicas que n\u00e3o tiveram documenta\u00e7\u00e3o aprovada pelo governo, esse nosso crit\u00e9rio j\u00e1 intersecciona. S\u00e3o as pessoas que n\u00e3o tem acesso \u00e0 Internet, n\u00e3o tem celular, s\u00e3o as nossas meninas l\u00e9sbicas que est\u00e3o vendendo o corpo, que estariam vendendo cigarro e que estariam nos bares vendendo rosas. Posso dizer que 90% das mulheres eram negras\u201d, conta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sebastiana da Silva, da Amiles, conta que com a pandemia foram buscar parceiros e se articularam com a Secretaria de Estado de Justi\u00e7a, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc) e a Secretaria Municipal de Assist\u00eancia Social. Nessa mobiliza\u00e7\u00e3o, conseguiram doa\u00e7\u00f5es de cestas b\u00e1sicas, kits de hortifruti, kits com m\u00e1scara e \u00e1lcool gel e cart\u00e3o voucher no valor de 50 reais. A Amiles possui 50 fam\u00edlias cadastradas, dessas 37 s\u00e3o fam\u00edlias LGBTI que recebem as doa\u00e7\u00f5es e conta com uma lista de espera de mais de 70 pessoas. Para n\u00e3o deixar ningu\u00e9m de fora, Sebastiana conta que fazem um rod\u00edzio para que ningu\u00e9m passe necessidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEssa pandemia fez com que a gente fizesse uma grande reflex\u00e3o e um sentimento de solidariedade, porque a gente percebe que um n\u00e3o vive sem o outro. Fizemos uma for\u00e7a coletiva em prol de todos. Nisso, atendemos at\u00e9 mesmo pessoas da Igreja Universal na nossa associa\u00e7\u00e3o. Nessa \u00faltima doa\u00e7\u00e3o que recebemos de hortifruti, n\u00f3s tiramos 10 cestas para doar para algumas obreiras, pois n\u00e3o fazemos discrimina\u00e7\u00e3o de religi\u00e3o e de pessoas, pelo contr\u00e1rio, a gente luta contra isso. Procuramos ajudar toas as pessoas, com foco nas LGBT travestis, l\u00e9sbicas e transexuais. Na semana que vem, vamos doar 45 cestas b\u00e1sicas para profissionais do sexo LGBTI\u201d, conta Sebastiana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Wescla Vasconcelos, do F\u00f3rum TT RJ, relata que os cadastros foram realizados pelo Grupo TransRevolu\u00e7\u00e3o e pela Casa Nem, e que no in\u00edcio da pandemia, em mar\u00e7o, mais de 500 pessoas se inscreveram para doa\u00e7\u00f5es e que, agora, conseguiram j\u00e1 conseguiram atingir um n\u00famero maior. Sem contar com as mais de 60 pessoas que moram na Casa Nem. Ela ressalta que, em junho, foram feitas mais de 1.500 doa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A articuladora do F\u00f3rum TT diz que, ao se mobilizarem, tiveram o apoio da Coordenadoria da Diversidade Sexual, da Prefeitura do Rio de Janeiro, e do Governo do Estado atrav\u00e9s da Secretaria de Direitos Humanos, com o Thiago Miranda, que proporcionaram a divulga\u00e7\u00e3o e o apoio para a campanha de arrecada\u00e7\u00e3o de alimentos. Com isso, foi poss\u00edvel toda organiza\u00e7\u00e3o, higieniza\u00e7\u00e3o e a separa\u00e7\u00e3o dos alimentos na Casa Nem, para que depois despachassem essas doa\u00e7\u00f5es a diversos territ\u00f3rios na cidade do Rio e alguns munic\u00edpios do Estado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO fato \u00e9 que esse perfil beneficiado j\u00e1 conhecemos h\u00e1 anos e que na pandemia do coronav\u00edrus s\u00f3 se tornou mais gritante a desigualdade social que ataca diretamente pessoas trans negras, algumas em situa\u00e7\u00e3o de rua, outras profissionais do sexo, outras em situa\u00e7\u00e3o de viver em um abrigo LGBTI, no caso a Casa Nem. Atendemos tamb\u00e9m pessoas trans da baixada fluminense, de comunidades, dentro de becos e vielas, das favelas e comunidades do Rio de Janeiro. Tamb\u00e9m pudemos observar algumas cabeleireiras que tamb\u00e9m foram afetadas pela pandemia\u201d, conta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, o Instituto Ra\u00e7a &amp; Igualdade, parabeniza os Organiza\u00e7\u00f5es da Sociedade Civil LGBTI brasileiras que mesmo diante de v\u00e1rias adversidades, mobilizaram-se para acolher com a\u00e7\u00f5es concretas os espa\u00e7os e corpos marginalizados pela defasada pol\u00edtica brasileira. Deste modo, reiteramos os diversos chamados ao Estado Brasileiro para que mapeie e execute pol\u00edticas p\u00fablicas que visem atender as especificidades de cada territ\u00f3rio e de suas comunidades para um dia possamos, enfim, vislumbrar a possibilidade de justi\u00e7a social nesse pa\u00eds.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Atrav\u00e9s de artigos e semin\u00e1rios web, o Instituto Ra\u00e7a e Igualdade visa promover um espa\u00e7o de discuss\u00e3o sobre o avan\u00e7o do coronav\u00edrus no Brasil e seu impacto na popula\u00e7\u00e3o afrodescendente, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":13098,"parent":0,"menu_order":0,"template":"","format":"standard","categories":[],"resources_country":[1189],"resources_language":[],"resources_audience":[],"resources_format":[],"resources_topic":[1104],"resources_year":[],"class_list":["post-13097","resources","type-resources","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","resources_country-brasil","resources_topic-lgbti-es"],"acf":[],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/resources\/13097","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/resources"}],"about":[{"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/resources"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13098"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13097"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13097"},{"taxonomy":"resources_country","embeddable":true,"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/resources_country?post=13097"},{"taxonomy":"resources_language","embeddable":true,"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/resources_language?post=13097"},{"taxonomy":"resources_audience","embeddable":true,"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/resources_audience?post=13097"},{"taxonomy":"resources_format","embeddable":true,"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/resources_format?post=13097"},{"taxonomy":"resources_topic","embeddable":true,"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/resources_topic?post=13097"},{"taxonomy":"resources_year","embeddable":true,"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/resources_year?post=13097"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}