{"id":13282,"date":"2020-11-16T18:06:04","date_gmt":"2020-11-16T18:06:04","guid":{"rendered":"http:\/\/race01.wp\/resources\/coletiva-resistencia-lesbica-realiza-mapeamento-socio-cultural-afetivo-das-lesbicas-e-mulheres-bissexuais-do-complexo-da-mare\/"},"modified":"2023-08-04T17:53:39","modified_gmt":"2023-08-04T17:53:39","slug":"coletiva-resistencia-lesbica-realiza-mapeamento-socio-cultural-afetivo-das-lesbicas-e-mulheres-bissexuais-do-complexo-da-mare","status":"publish","type":"resources","link":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/resources\/coletiva-resistencia-lesbica-realiza-mapeamento-socio-cultural-afetivo-das-lesbicas-e-mulheres-bissexuais-do-complexo-da-mare\/","title":{"rendered":"Coletiva Resist\u00eancia L\u00e9sbica realiza Mapeamento S\u00f3cio-Cultural-Afetivo das L\u00e9sbicas e Mulheres Bissexuais do Complexo da Mar\u00e9"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Apresentar as experi\u00eancias cotidianas das mulheres l\u00e9sbicas e bissexuais de favelas, especificamente das que vivem no Complexo da Mar\u00e9, no Rio de Janeiro. Com essa proposta, a Coletiva Resist\u00eancia L\u00e9sbica da Mar\u00e9 realizou o <em>Mapeamento S\u00f3cio-Cultural-Afetivo das L\u00e9sbicas e Mulheres Bissexuais do Complexo da Mar\u00e9, <\/em>organizado por Beatriz Adura Martins e Dayana Gusm\u00e3o (Acesse: <a href=\"https:\/\/raceandequality.org\/434\">https:\/\/bit.ly\/2TDB5ES<\/a>.) A pesquisa foi realizada entre novembro de 2019 e junho de 2020, em parceria com o Instituto de Psicologia da Universidade Federal Fluminense (UFF). O mapeamento est\u00e1 dispon\u00edvel para download gratuito no site da Metanoia Editora, dirigida pelas mulheres l\u00e9sbicas L\u00e9a Carvalho e Malu Santos. [1]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre as viv\u00eancias compartilhadas nos Espa\u00e7o Casulo, local onde acontecia o grupo terap\u00eautico de mulheres l\u00e9sbicas, e outros espa\u00e7os de socializa\u00e7\u00e3o da Coletiva na Mar\u00e9, a realiza\u00e7\u00e3o do mapeamento n\u00e3o aconteceu de forma distanciada da realidade das moradoras da regi\u00e3o. Antes da pesquisa come\u00e7ar de fato, as estudantes de psicologia que estavam encarregadas de ministrar a pesquisa, primeiro conheceram as situa\u00e7\u00f5es que permeiam as viv\u00eancias l\u00e9sbicas e bissexuais de favelas ao circularem pelo Complexo da Mar\u00e9. Foi somente a partir dessas andan\u00e7as, que nasceram as perguntas que constru\u00edram o mapeamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, o documento visa denunciar a escassez de respostas sobre as viv\u00eancias l\u00e9sbicas de favela, sobretudo as experi\u00eancias de n\u00e3o viol\u00eancia, uma vez que as representa\u00e7\u00f5es hegem\u00f4nicas das favelas remetem a viol\u00eancia e ao abandono do poder p\u00fablico. \u201cGeralmente essas pesquisas tratam somente das mulheres l\u00e9sbicas classe m\u00e9dia e\/ou daquelas que est\u00e3o na \u2018pista\u2019 e a realidade das l\u00e9sbicas de favela acabam sendo ignoradas. Por isso, a ideia do mapeamento \u00e9 afirmar essas exist\u00eancias na Mar\u00e9 e n\u00e3o dizer como elas devem ser\u201d, esclarece Beatriz Adura [2]. Desse modo, ela deixa a quest\u00e3o: de que forma n\u00fameros e mapeamentos podem servir para mapear experi\u00eancias subjetivas?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir dessas reflex\u00f5es, as organizadoras afirmam que essa pesquisa \u00e9 pioneira, pois n\u00e3o conhecem nenhuma outra iniciativa de mapeamento s\u00f3cio-cultural e afetivo de l\u00e9sbicas e bissexuais de favela no Brasil. E com isso, esperam que a discuss\u00e3o seja ampliada para muitos outros mapeamentos dessa realidade pelo pa\u00eds. As organizadoras enfatizam que a pluralidade das lesbianidades precisam ser visibilizadas, pois a pesquisa reflete que mesmo na Mar\u00e9 h\u00e1 diferen\u00e7as entre as exist\u00eancias destas mulheres e, como aponta entre seus objetivos, o mapeamento pretende for\u00e7ar a constru\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas que considerem as especificidades das mulheres l\u00e9sbicas e bissexuais dos territ\u00f3rios mapeados, assim como qualificar o debate e produzir sociabilidade que contribua para a quebra da marginaliza\u00e7\u00e3o social \u00e0s l\u00e9sbicas do Complexo da Mar\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foram mapeadas oito favelas do Complexo que possui no total de 16 favelas. Com 40 perguntas, o question\u00e1rio obteve um total de 59 respondentes que responderam quest\u00f5es sobre ra\u00e7a, moradia, maternidade, religi\u00e3o, saneamento b\u00e1sico, rela\u00e7\u00f5es familiares, entre outras. Com a maioria das respondentes universit\u00e1rias, destacou-se a import\u00e2ncia dos pr\u00e9-vestibulares comunit\u00e1rios da Mar\u00e9. Entre as quest\u00f5es sobre g\u00eanero, as pesquisadoras apontam que essa \u00e9 uma quest\u00e3o muito mais acad\u00eamica do que um valor que perpassa o cotidiano destas mulheres, tanto que 20% optaram por n\u00e3o responder e 3 pessoas designaram-se como n\u00e3o-bin\u00e1rias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sobre a quest\u00e3o racial, 70% declararam-se n\u00e3o brancas, fato que as organizadoras apontam como vital para se pensar pol\u00edticas p\u00fablicas que contemplem a realidade das favelas, pois, geralmente, essas pesquisas apontam a realidade somente de mulheres l\u00e9sbicas brancas e de classe m\u00e9dia. 47,5% se autodeclararam preta; 28,8%, branca; 20,3%, parda; 3,4%, ind\u00edgena; nenhuma pessoa se declarou amarela. \u201cChamamos aten\u00e7\u00e3o da import\u00e2ncia de pesquisas espec\u00edficas de modos de sociabilidade favelados que muitas vezes n\u00e3o aparecem nas estat\u00edsticas de pesquisas gen\u00e9ricas, ficando sempre destinado a popula\u00e7\u00e3o favelada falar de suas mazelas e viol\u00eancias. As l\u00e9sbicas faveladas da Mar\u00e9 existem e s\u00e3o em sua maioria negras (pretas e pardas) e ind\u00edgenas, representando 71,2% desta popula\u00e7\u00e3o\u201d, aponta o relat\u00f3rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 viol\u00eancia, as entrevistadas afirmaram sentirem-se mais seguras e \u00e0 vontade dentro da favela para expressarem sua sexualidade, pois j\u00e1 sofreram ataques fora dela. Com isso, a pesquisa revela que a viol\u00eancia dom\u00e9stica \u00e9 a que caracteriza o cotidiano contra as l\u00e9sbicas na Mar\u00e9. Fato que j\u00e1 levou muitas a serem encaminhadas por familiares a pr\u00e1ticas de terapias de convers\u00e3o [3] atrav\u00e9s da religi\u00e3o. Nesse sentido, esses dados refletem como o avan\u00e7o do conservadorismo e o crescimento de igrejas neopentecostais na regi\u00e3o influenciam no quadro de viol\u00eancia e de nega\u00e7\u00e3o das exist\u00eancias l\u00e9sbicas. Sendo a viol\u00eancia psicol\u00f3gica representando o dobro de opress\u00e3o do que a viol\u00eancia f\u00edsica no que se refere as lesbianidades e bissexualidades mareenses. Como resultado, 70% afirmam n\u00e3o ter religi\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diante deste cen\u00e1rio, as organizadoras apontam que a uni\u00e3o das l\u00e9sbicas na Mar\u00e9 foi importante para a constru\u00e7\u00e3o da pesquisa, contudo, essa foi somente a primeira etapa. No momento, a Coletiva Resist\u00eancia L\u00e9sbica da Mar\u00e9 est\u00e1 em busca de patroc\u00ednio para a segunda fase do mapeamento e, assim, conseguir abranger essas exist\u00eancias por todo o Complexo da Mar\u00e9. Os poucos recursos financeiros, a falta de material tecnol\u00f3gico e at\u00e9 mesmo a dificuldade no acesso \u00e0 Internet, dificultaram a plena realiza\u00e7\u00e3o do mapeamento. Sem contar na pandemia de COVID-19 que atrasou o t\u00e9rmino da pesquisa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA viol\u00eancia policial foi outro fator que dificultou a pesquisa. Em v\u00e1rios momentos em que consegu\u00edamos mobilizar mulheres para responder o question\u00e1rio, estavam acontecendo opera\u00e7\u00f5es policiais. A militariza\u00e7\u00e3o s\u00f3 causou danos. Por isso, essa pesquisa se insere na perspectiva da desmilitariza\u00e7\u00e3o da favela e da vida das pessoas. \u00c9 preciso criar um territ\u00f3rio de cuidado, de produ\u00e7\u00e3o de vida e n\u00e3o de controle\u201d, desabafa Dayana Gusm\u00e3o. [4]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desse modo, o Instituto Ra\u00e7a e Igualdade parabeniza e encoraja todas as pesquisas libert\u00e1rias que afirmam a favela como lugar de produ\u00e7\u00e3o de conhecimento. Nesse sentido, recomendamos ao Estado brasileiro que:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1 \u2013 Crie pol\u00edticas p\u00fablicas que contemplem a diversidade e a interseccionalidade de mulheres l\u00e9sbicas de favelas;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2 \u2013 Empreenda pol\u00edticas que visem a desmilitariza\u00e7\u00e3o de favelas, n\u00e3o somente no per\u00edodo de pandemia, mas como uma pol\u00edtica vigente territorial;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3 \u2013 Implemente as recomenda\u00e7\u00f5es da CIDH que constam em seu relat\u00f3rio sobre Viol\u00eancia contra pessoas LGBTI (2015) em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es para analisar e avaliar a predomin\u00e2ncia da viol\u00eancia contra mulheres l\u00e9sbicas e bissexuais: adotar medidas espec\u00edficas para prevenir e investigar este tipo de viol\u00eancia, com um enfoque diferenciado que considere as rela\u00e7\u00f5es de poder na interse\u00e7\u00e3o de sexo, g\u00eanero, orienta\u00e7\u00e3o sexual e express\u00e3o de g\u00eanero [4]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">[1] Acesso o Mapeamento: <a href=\"https:\/\/raceandequality.org\/434\">https:\/\/bit.ly\/2TDB5ES<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[2] [4] Falas apresentadas durante o lan\u00e7amento do Mapeamento no YouTube do Museu da Mar\u00e9, que ocorreu no dia 17 de outubro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[3] Acesse o relat\u00f3rio sobre Terapias de Convers\u00e3o do IESOGI da ONU, Victor Madrigal-Borloz: <a href=\"https:\/\/raceandequality.org\/1023\">https:\/\/bit.ly\/2GH6za2<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[4] CIDH. Viol\u00eancia contra pessoas LGBTI. 2015, p. 311, par. 69. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/raceandequality.org\/1024\">www.oas.org\/pt\/cidh\/docs\/pdf\/ViolenciaPessoasLGBTI.pdf<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apresentar as experi\u00eancias cotidianas das mulheres l\u00e9sbicas e bissexuais de favelas, especificamente das que vivem no Complexo da Mar\u00e9, no Rio de Janeiro. 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