{"id":13302,"date":"2020-11-20T14:43:55","date_gmt":"2020-11-20T14:43:55","guid":{"rendered":"http:\/\/race01.wp\/resources\/dia-internacional-da-memoria-trans-uma-data-para-lembrar-e-reafirmar-a-luta-pela-igualdade-e-pela-nao-discriminacao\/"},"modified":"2023-08-04T17:58:26","modified_gmt":"2023-08-04T17:58:26","slug":"dia-internacional-da-memoria-trans-uma-data-para-lembrar-e-reafirmar-a-luta-pela-igualdade-e-pela-nao-discriminacao","status":"publish","type":"resources","link":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/resources\/dia-internacional-da-memoria-trans-uma-data-para-lembrar-e-reafirmar-a-luta-pela-igualdade-e-pela-nao-discriminacao\/","title":{"rendered":"Dia Internacional da Mem\u00f3ria Trans: uma data para lembrar e reafirmar a luta pela igualdade e pela n\u00e3o discrimina\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Washington DC, 20 de novembro de 2020.- <\/strong>No dia 20 de novembro, <strong>Dia Internacional da Mem\u00f3ria Trans<\/strong>, o Instituto sobre Ra\u00e7a, Igualdade e Direitos Humanos (Ra\u00e7a e Igualdade) faz um chamado para refletirmos sobre todas as pessoas trans assassinadas em todo o mundo, principalmente na Am\u00e9rica Latina e no Caribe, regi\u00e3o onde, segundo registros de organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil, se concentra a maioria dos assassinatos. Para isso, conversamos com seis ativistas trans de diferentes pa\u00edses que, a partir de seus espa\u00e7os e realidades, buscam manter viva a mem\u00f3ria dos que j\u00e1 n\u00e3o est\u00e3o mais entre n\u00f3s e reivindicam seu direito \u00e0 igualdade e \u00e0 n\u00e3o discrimina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Um caso, uma realidade<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Brandy Carolina, tinha 32 anos, quando foi <strong>morta por v\u00e1rias facadas<\/strong> &#8211; uma delas no pesco\u00e7o &#8211; por um homem desconhecido no bairro La Chinita de Barranquilla, na Col\u00f4mbia. Era extrovertida e sonhava em comprar uma casa para sua m\u00e3e mas, em junho do ano passado, perdeu sua vida por ser uma mulher trans. Seu assassinato foi denunciado por organiza\u00e7\u00f5es que defendem os direitos de pessoas com diversas orienta\u00e7\u00f5es sexuais e identidade de g\u00eanero.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEla n\u00e3o expressou medo, estava muito segura de si e o fato \u00e9 que n\u00e3o se sente a morte, mas ela chega de repente e nos lugares menos esperados\u201d, diz Andra Hern\u00e1ndez, representante da Rede LGBTI de Boyac\u00e1 e integrante da Femidiversas, ao se referir ao assassinato de Brandy Carolina. Ao mesmo tempo, Hern\u00e1ndez relata que naquele mesmo bairro de Barranquilla, uma l\u00e9sbica e uma mulher trans foram assassinadas em 26 de mar\u00e7o e 16 de abril deste ano, respectivamente. \u201cN\u00e3o esper\u00e1vamos que uma pessoa t\u00e3o pr\u00f3xima ca\u00edsse nas m\u00e3os de uma <strong>sociedade t\u00e3o indolente que n\u00e3o respeita a diversidade e as diferen\u00e7as<\/strong>, nunca estamos preparados para uma morte, menos para uma morte por ser trans\u201d, insiste.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todos os anos, na v\u00e9spera do Dia Internacional da Mem\u00f3ria Trans, a organiza\u00e7\u00e3o internacional Trans Respect vs Trans Phobia publica um <strong>relat\u00f3rio sobre o assassinato de pessoas trans e de g\u00eanero diversos em todo o mundo<\/strong>. O relat\u00f3rio correspondente a este ano, revela que entre 1 de outubro de 2019 e 30 de setembro de 2020 ocorreram 350 assassinatos, dos quais 82% aconteceram na Am\u00e9rica Latina, onde Brasil (152), M\u00e9xico (45) e Col\u00f4mbia (16) est\u00e3o no topo da lista de pa\u00edses com mais casos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Morrer duas vezes<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Santiago Balvin, um ativista trans masculino n\u00e3o bin\u00e1rio do Peru, afirma que \u00e9 preciso homenagear todas as pessoas trans que foram mortas porque, mesmo <strong>depois de suas mortes, elas s\u00e3o discriminadas e tornadas invis\u00edveis<\/strong>. \u201cResta um sentimento de frustra\u00e7\u00e3o porque nada pode ser feito, as fam\u00edlias n\u00e3o reconhecem seus nomes e a m\u00eddia n\u00e3o as citam pelo nome de sua identidade, \u00e9 muito doloroso que a morte de uma irm\u00e3 seja tratada assim e que continue acontecendo com tanta impunidade\u201d, compartilha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesta data, Balvin lembra do <strong>Massacre de Tarapoto, tamb\u00e9m conhecido como Noite das Gard\u00eanias<\/strong>, por se tratar de um massacre coletivo ocorrido em 31 de maio de 1989 e classificado como o maior crime de \u00f3dio contra pessoas trans da hist\u00f3ria do pa\u00eds. Ao mesmo tempo, indica que este ano, as organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil do Peru contabilizaram cinco pessoas trans assassinadas at\u00e9 o momento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Victoria Obando, ativista de direitos humanos na Nicar\u00e1gua e ex-presa pol\u00edtica, concorda com a import\u00e2ncia de se comemorar o Dia Internacional da Mem\u00f3ria Trans, pois para ela \u00e9 um dia para se lembrar da luta que grande parte dos assassinados travou para defender e promover os <strong>direitos da comunidade trans<\/strong>. \u201cVivemos em uma sociedade que n\u00e3o nos reconhece como parte dela, sinto que o que vive a popula\u00e7\u00e3o trans, principalmente as mulheres trans, \u00e9 uma trag\u00e9dia porque n\u00e3o entendem que tamb\u00e9m somos seres humanos\u201d, afirma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na Nicar\u00e1gua n\u00e3o existem dados sobre viol\u00eancia e assassinatos contra pessoas trans, o que Obando tenta entender a partir da crise s\u00f3cio-pol\u00edtica que atravessa o pa\u00eds. No entanto, ele garante que mesmo em meio \u00e0s discuss\u00f5es para o reestabelecimento da democracia no pa\u00eds, <strong>se colocam as quest\u00f5es das pessoas trans de lado<\/strong>. \u201cH\u00e1 quem considere que existem categorias para acomodar os temas e o trans sempre aparece como secund\u00e1rio, eles querem nos encaixotar. Como ativista tem sido dif\u00edcil para ter aceita\u00e7\u00e3o, pois subestimam as diferentes capacidades pelo fato de terem uma identidade de g\u00eanero diversa\u201d, afirma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Exclui\u00e7\u00e3o e impunidade<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para Athiany Larios Fonseca, mulher trans da Nicar\u00e1gua exilada na Costa Rica, ainda \u00e9 doloroso lembrar um dos primeiros casos que ela conheceu sobre viol\u00eancia por discrimina\u00e7\u00e3o contra uma pessoa trans. \u201cMinha amiga e seu parceiro foram apedrejados no caminho de casa e ela me perguntou &#8216;Por que as pessoas se incomodam tanto?&#8217;, e comecei a chorar porque <strong>nos agrediram e at\u00e9 nos mataram por causa daquele \u00f3dio<\/strong>, por n\u00e3o ser homem ou mulher segundo os padr\u00f5es biol\u00f3gico-genitais \u201d, diz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Christian King, da organiza\u00e7\u00e3o TRANSSA na Rep\u00fablica Dominicana, afirma que o Dia Internacional da Mem\u00f3ria Trans \u201crepresenta o <strong>reconhecimento e a reivindica\u00e7\u00e3o de todas as mulheres trans<\/strong> que perderam suas vidas, v\u00edtimas de discrimina\u00e7\u00e3o, transfobia e preconceito em decorr\u00eancia da falta de vontade pol\u00edtica e de pol\u00edticas p\u00fablicas que garantam os direitos dessa base populacional e penalizem a discrimina\u00e7\u00e3o \u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste pa\u00eds, o Observat\u00f3rio dos Direitos Humanos das Pessoas Trans registrou 49 crimes de \u00f3dio cometidos contra mulheres trans, dos quais apenas cinco foram processados \u200b\u200be condenados. Al\u00e9m disso, em conjunto com a TRANSSA, exigem a <strong>aprova\u00e7\u00e3o do Projeto de Lei Geral sobre Igualdade e N\u00e3o Discrimina\u00e7\u00e3o<\/strong>, o cumprimento do Plano Nacional de Direitos Humanos e a Lei de Identidade de G\u00eanero.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Uma d\u00edvida do Estado<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para Bruna Benevides, da Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA), do Brasil, entre os fatores que intensificam a viol\u00eancia contra as pessoas trans, destacam-se o processo hist\u00f3rico de invisibilidade dessa popula\u00e7\u00e3o e a falta de acesso aos direitos b\u00e1sicos, al\u00e9m de toda <strong>omiss\u00e3o do Estado em atender \u00e0s suas necessidades<\/strong>. \u201cAl\u00e9m disso, vemos uma onda global neoliberal crescente que traz o fascismo, esse espantalho da ideologia de g\u00eanero e, sobretudo, a ideia de que as pessoas trans, mulheres e negros, devem continuar em um lugar de subordina\u00e7\u00e3o\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ativista destaca ainda a <strong>influ\u00eancia que a pandemia COVID-19 teve no agravamento da viol\u00eancia contra as pessoas trans<\/strong>, pois junto com a crise sanit\u00e1ria aumentou a desigualdade, o desemprego, a fome e a invisibilidade em que se encontra essa popula\u00e7\u00e3o. De fato, o relat\u00f3rio Trans Respect vs Trans Phobia atesta o impacto desproporcional que a pandemia teve sobre as pessoas trans, especialmente os mais exclu\u00eddos, como mulheres negras e racializadas, profissionais do sexo, migrantes, jovens e aqueles que vivem em condi\u00e7\u00e3o de pobreza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cLamentavelmente, a falta de a\u00e7\u00f5es, mas tamb\u00e9m a falta de aten\u00e7\u00e3o \u00e0 nossa comunidade e um processo total de invisibilidade no trato com nossa popula\u00e7\u00e3o nos deixa sem ajuda do Estado. Como resultado, <strong>somos mais suscet\u00edveis e vulner\u00e1veis \u200b\u200b\u00e0 viol\u00eancia<\/strong>. Talvez isso fa\u00e7a parte desse plano que escolhe corpos que s\u00e3o mat\u00e1veis, descart\u00e1veis, que n\u00e3o fazem parte da estrutura hegem\u00f4nica e que, portanto, podem ser facilmente exterminados. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa, somos o pa\u00eds que mais mata pessoas trans no mundo e, este ano, mais uma vez estamos no topo desse triste ranking \u201d, diz Benevides.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No que se refere ao Dia Internacional da Trans Mem\u00f3ria, Ra\u00e7a e Igualdade, lembra aos Estados sua <strong>obriga\u00e7\u00e3o de respeitar e garantir os direitos de todas as pessoas<\/strong>, sem qualquer tipo de discrimina\u00e7\u00e3o, e no que diz respeito \u00e0 situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia e homic\u00eddios contra pessoas trans, fazemos as seguintes recomenda\u00e7\u00f5es:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Adotar leis e pol\u00edticas necess\u00e1rias para garantir o <strong>reconhecimento, respeito e inclus\u00e3o<\/strong> de pessoas com orienta\u00e7\u00e3o sexual e identidade de g\u00eanero diversas<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Estabelecer mecanismos especiais de <strong>resposta a atos de viol\u00eancia e homic\u00eddios contra pessoas LGBI e trans<\/strong>, que levem ao esclarecimento dos fatos e \u00e0 puni\u00e7\u00e3o dos respons\u00e1veis, bem como ao estabelecimento de garantias de n\u00e3o repeti\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Promover atrav\u00e9s do quadro institucional e canais oficiais uma campanha de <strong>educa\u00e7\u00e3o e sensibiliza\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o<\/strong> sobre a orienta\u00e7\u00e3o sexual e identidade de g\u00e9nero, com vista a gerar um contexto de reconhecimento e respeito pela integridade e vida das pessoas LGBTI.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Washington DC, 20 de novembro de 2020.- No dia 20 de novembro, Dia Internacional da Mem\u00f3ria Trans, o Instituto sobre Ra\u00e7a, Igualdade e Direitos Humanos (Ra\u00e7a e Igualdade) faz um [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":13303,"parent":0,"menu_order":0,"template":"","format":"standard","categories":[],"resources_country":[],"resources_language":[],"resources_audience":[],"resources_format":[],"resources_topic":[1104],"resources_year":[],"class_list":["post-13302","resources","type-resources","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","resources_topic-lgbti-es"],"acf":[],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/resources\/13302","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/resources"}],"about":[{"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/resources"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13303"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13302"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13302"},{"taxonomy":"resources_country","embeddable":true,"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/resources_country?post=13302"},{"taxonomy":"resources_language","embeddable":true,"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/resources_language?post=13302"},{"taxonomy":"resources_audience","embeddable":true,"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/resources_audience?post=13302"},{"taxonomy":"resources_format","embeddable":true,"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/resources_format?post=13302"},{"taxonomy":"resources_topic","embeddable":true,"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/resources_topic?post=13302"},{"taxonomy":"resources_year","embeddable":true,"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/resources_year?post=13302"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}