{"id":13910,"date":"2021-11-20T14:11:19","date_gmt":"2021-11-20T14:11:19","guid":{"rendered":"http:\/\/race01.wp\/resources\/entrevista-com-jurema-werneck-a-voz-das-ialodes-ressoando-no-dia-da-consciencia-negra\/"},"modified":"2023-08-04T18:01:22","modified_gmt":"2023-08-04T18:01:22","slug":"entrevista-com-jurema-werneck-a-voz-das-ialodes-ressoando-no-dia-da-consciencia-negra","status":"publish","type":"resources","link":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/resources\/entrevista-com-jurema-werneck-a-voz-das-ialodes-ressoando-no-dia-da-consciencia-negra\/","title":{"rendered":"Entrevista com Jurema Werneck: a voz das Ialod\u00eas ressoando no Dia da Consci\u00eancia Negra"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Brasil, 20 de novembro de 2021 \u2013 <\/strong>Para celebrar o <strong>Dia da Consci\u00eancia Negra<\/strong>, simbolizado no Brasil em <strong>mem\u00f3ria ao falecimento do l\u00edder quilombola Zumbi dos Palmares<\/strong>, o Instituto Internacional sobre Ra\u00e7a, Igualdade e Direitos Humanos (Ra\u00e7a e Igualdade), tem o orgulho de compartilhar uma entrevista com <strong>Jurema Werneck, uma das principais refer\u00eancias do movimento negro no pa\u00eds<\/strong>. Al\u00e9m de Diretora da Anistia Internacional no Brasil, Jurema foi fundadora da ONG Criola, \u00e9 m\u00e9dica com mestrado em engenharia de produ\u00e7\u00e3o e doutorado em comunica\u00e7\u00e3o e cultura. Sua carreira profissional \u00e9 a prova de que a perspectiva interseccional \u00e9 fundamental para construir saberes plurais e uma vis\u00e3o diversa do mundo e da sociedade que nele se constitui.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se o dia 20 de novembro nos faz reviver uma mem\u00f3ria de luta por consci\u00eancia racial e liberdade negra, <strong>Jurema Werneck \u00e9 a personifica\u00e7\u00e3o das <em>Ialod\u00eas<\/em><\/strong>, que como bem ela descreve em uma publica\u00e7\u00e3o [1], \u201c<em>Ialod\u00ea<\/em> se refere tamb\u00e9m \u00e0 representante das mulheres, a alguns tipos de mulheres emblem\u00e1ticas, lideran\u00e7as pol\u00edticas femininas de a\u00e7\u00e3o fundamentalmente urbana (&#8230;) aquela que fala por todas e participa de inst\u00e2ncias de poder (&#8230;) que se colocam como agentes pol\u00edticos de mudan\u00e7a, detentoras principais das riquezas conquistadas\u201d. Assim, saudamos a oportunidade de apresentar um resumo de uma longa conversa com a <em>Ialod\u00ea<\/em> Jurema Werneck, que dividiu conosco suas percep\u00e7\u00f5es sobre a luta pelos direitos humanos, viol\u00eancia policial, feminic\u00eddio e mulheres negras, al\u00e9m da sua participa\u00e7\u00e3o na CPI da Pandemia, cujo relat\u00f3rio final foi entregue em outubro no Senado brasileiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><u>Pandemia de COVID-19<\/u><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ra\u00e7a e Igualdade &#8211; Sua participa\u00e7\u00e3o na CPI da Pandemia mostrou ao Brasil as consequ\u00eancias do negacionismo e que, somente no primeiro ano, 120 mil vidas poderiam ter sido poupadas se tiv\u00e9ssemos seguidos os protocolos mundiais e uma pol\u00edtica efetiva de sa\u00fade p\u00fablica. Poderia nos contar como foi a experi\u00eancia de participar da CPI da pandemia? Voc\u00ea acredita que vai haver consequ\u00eancias para o governo atual?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Jurema Werneck \u2013 <\/strong>A CPI da Pandemia nos ajuda a ver pelo menos que vale continuar insistindo para mostrar a popula\u00e7\u00e3o que tudo o que foi feito durante a pandemia estava errado e demonstrar quais s\u00e3o os tipos de pessoas que est\u00e3o no Governo. Pessoas que n\u00e3o t\u00eam nenhum compromisso com \u00e9tica, na verdade o compromisso deles \u00e9 se apropriar da coisa p\u00fablica e lucrar com o pa\u00eds. Ent\u00e3o, eu vejo que essa \u2018novela\u2019 que se tornou a CPI da Pandemia, de certa forma lembra para a gente que existe uma camada de interesses e que o povo est\u00e1 sentindo o impacto disso tudo. E com isso, a aprova\u00e7\u00e3o do governo despenca, porque \u00e9 fato, n\u00e3o tem governo, \u00e9 desgoverno.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Participar da CPI foi um trabalho coletivo. Eu s\u00f3 fui a porta voz de v\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es e n\u00e3o s\u00f3 da Anistia Internacional. N\u00f3s combinamos que eu seria porta-voz, ent\u00e3o o meu trabalho foi me preparar e apresentar a pesquisa que foi encomendada j\u00e1 mesmo antes da CPI, e realizada por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP). Era uma pesquisa para ser apresentada para o pr\u00f3prio Governo Federal, mas ele estava muito refrat\u00e1rio a qualquer press\u00e3o, ent\u00e3o vimos na CPI uma oportunidade de apresentar. N\u00f3s propomos ao Senador relator, Renan Calheiros, e ele aceitou. Isso ajudou tamb\u00e9m a legitimar uma percep\u00e7\u00e3o dele e de parte da sociedade de que tudo poderia ter sido diferente. Logo, o nosso trabalho foi demonstrar que mesmo sem vacina [2] poderia ter salvo vidas se o b\u00e1sico da sa\u00fade p\u00fablica tivesse sido feito. Fora isso, pessoalmente, foi mais um momento de ativismo cotidiano, eu fui l\u00e1 fazer o que queria fazer, ent\u00e3o eu achei um privil\u00e9gio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E agora, com mais de 600 mil vidas perdidas e num cen\u00e1rio em que j\u00e1 existe a vacina para enfrentar a pandemia, por\u00e9m, o governo negacionista continua no poder. Como continuar enfrentando a pandemia nos pr\u00f3ximos anos? <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Jurema Werneck \u2013 <\/strong>N\u00f3s o chamamos de negacionista, mas ele n\u00e3o \u00e9 negacionista. No sentido de que ele tem uma alian\u00e7a frontal com as estrat\u00e9gias de morte destrui\u00e7\u00e3o. H\u00e1 um projeto pol\u00edtico, \u00e9 uma trajet\u00f3ria ativamente definida. N\u00e3o \u00e9 n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 uma recusa, \u00e9 um fazer no movimento contr\u00e1rio em rela\u00e7\u00e3o a vida, ou seja, extremamente perigoso. O que mant\u00e9m o Brasil inteiro, e n\u00e3o apenas quem n\u00e3o gosta dele, sob tortura permanente. \u00c9 um torturador convicto que mant\u00e9m a gente sob tortura, seja a partir da gest\u00e3o da pandemia, seja partir de qualquer outro cap\u00edtulo da \u201cadministra\u00e7\u00e3o\u201d dele. \u00a0E a\u00ed o que a gente faz a partir da\u00ed? Temos que lembrar que n\u00e3o foi s\u00f3 ele, a pandemia tem responsabilidade tamb\u00e9m a n\u00edvel estadual e municipal. A Anistia lan\u00e7ou uma campanha ano passado direcionada a governadores e prefeitos, \u00e0s autarquias por conta dos direitos ind\u00edgenas e quilombolas, e lembramos que era responsabilidade de todo mundo e n\u00e3o apenas da legisla\u00e7\u00e3o, mas que o funcionamento do sistema demonstra uma responsabilidade solid\u00e1ria. Ent\u00e3o, ou seja, a gama de gente envolvida nessa produ\u00e7\u00e3o de 600 mil mortes n\u00e3o \u00e9 um uma tarefa simples.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vejo que isso tamb\u00e9m tem um rebatimento na sociedade e de certa forma em todos n\u00f3s. 600 mil mortes \u00e9 muita trag\u00e9dia e por tr\u00e1s dessas mortes tem um contingente imenso de enlutados, temos os \u00f3rf\u00e3os, temos os sequelados da COVID-19. O legado que tem est\u00e1 fora da \u00e9tica, da pol\u00edtica e da sa\u00fade p\u00fablica; com mais o aprofundamento das desigualdades sociais. Foram as mulheres negras que pagaram o pre\u00e7o mais alto e as que mais morreram de COVID-19 no princ\u00edpio. Ou seja, a quantidade de desafios e de sequelas que a temos para enfrentar \u00e9 muito grande.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><u>Viol\u00eancia Policial<\/u><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ra\u00e7a e Igualdade<\/strong> \u2013 <strong>Recentemente, Michelle Bachelet, Comiss\u00e1ria da ONU de direitos humanos, denunciou em seu relat\u00f3rio sobre viol\u00eancia policial e racismo sist\u00eamico a dimens\u00e3o que a letalidade dessa viol\u00eancia opera na vida das pessoas negras, e citou o caso de Luana Barbosa e de Jo\u00e3o Pedro no Brasil. A partir de uma perspectiva interseccional, pessoas LGBTI+ negras, principalmente pessoas trans em situa\u00e7\u00e3o de c\u00e1rcere, est\u00e3o entre as v\u00edtimas dessa engrenagem racista e LGBTIf\u00f3bica. De que forma podemos enfrentar o racismo e a LGBTIfobia em nossa seguran\u00e7a p\u00fablica quando se trata de uma sociedade que considera corpos negros como corpos mat\u00e1veis e descart\u00e1veis?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Jurema Werneck \u2013 <\/strong>A primeira forma da gente atuar nesse tema \u00e9 reconhecer e dar a dimens\u00e3o de emerg\u00eancia que tem, porque s\u00e3o casos de vida e de morte. Porque eles est\u00e3o matando pessoas. Pessoas est\u00e3o morrendo fisicamente e existencialmente. Hoje em dia a situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 t\u00e3o ruim que eu estou celebrando as pequenas vit\u00f3rias das conquistas discursivas. Desde que a Anistia Internacional come\u00e7ou a trabalhar com a letalidade policial e morte de jovens negros, temos incidido no Alto Comissariado da ONU sobre o tema. \u00c9 bom ver que a Michelle Bachelet falou sobre isso porque era a sua obriga\u00e7\u00e3o, mas ainda \u00e9 uma pequena vit\u00f3ria. Isso n\u00e3o vai salvar a vida da Luana, infelizmente, porque ela j\u00e1 morreu, mas n\u00f3s temos trabalhados em situa\u00e7\u00f5es muito dram\u00e1ticas, nossos indicadores s\u00e3o de morte. N\u00e3o \u00e9 de malcria\u00e7\u00e3o porque o policial olhou de cara feia para n\u00f3s, \u00e9 de assassinato. Ent\u00e3o a nossa situa\u00e7\u00e3o \u00e9 muito dram\u00e1tica e muito terr\u00edvel. E temos que partir desse indicador que \u00e9 a ponta do iceberg mais sangrento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O movimento negro vem trabalhando com isso h\u00e1 muito tempo. Em 1978, a raz\u00e3o que reuniu representantes de federa\u00e7\u00f5es de v\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es nas escadarias do Teatro Municipal, em S\u00e3o Paulo, para criar o Movimento Unificado contra a Viol\u00eancia Policial, que depois chamou-se de Movimento Negro Unificado (MNU), foi por conta do assassinato de um jovem negro. Mas passamos de 1978 at\u00e9 muito recentemente falando sozinhos. N\u00e3o tinha Na\u00e7\u00f5es Unidas, n\u00e3o tinha organiza\u00e7\u00e3o branca e nem organiza\u00e7\u00f5es de direitos humanos. N\u00e3o tinha lei nacional que versasse sobre ra\u00e7a, era s\u00f3 nos Estados Unidos. Nos custou muita luta. Sueli Carneiro, L\u00e9lia Gonzalez e Amauri Mendes, entre muitas pessoas do movimento estavam naquele momento tentando hegemonizar essa luta. O que eu estou dizendo \u00e9 que temos pequenas vit\u00f3rias, mas que n\u00e3o s\u00e3o suficientes. O que n\u00f3s queremos \u00e9 salvar vidas agora, nesse exato instante porque algu\u00e9m est\u00e1 sendo morto agora. E isso n\u00e3o \u00e9 suficiente, e essa \u00e9 a nossa ang\u00fastia. O processo pol\u00edtico de transforma\u00e7\u00e3o \u00e9 demorado, n\u00e3o salva todas as vidas que precisaria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o conseguimos contabilizar o quanto da fala de Bachelet influencia para salvar vidas, mas acaba de certo modo acaba influenciando, n\u00e3o apenas porque bota um freio em determinadas m\u00e3os, em alguns dedos que est\u00e3o no gatilho, porque afinal s\u00e3o as Na\u00e7\u00f5es Unidas. Em compensa\u00e7\u00e3o tem outros que lhes ignoram, porque o presidente falou outra coisa e eles v\u00e3o ouvir o presidente, ent\u00e3o. Se temos o presidente de um lado e a Bachelet de outro, estamos tentando uma estrat\u00e9gia de empate. Estamos tentando empatar o jogo para nos dar um espa\u00e7o para continuar lutando. \u00a0Como ativista n\u00e3o vejo uma sa\u00edda que n\u00e3o seja de luta. O processo pol\u00edtico se move como uma conjuntura, sabemos onde queremos chegar que \u00e9 na manuten\u00e7\u00e3o da vida das pessoas. \u00a0Quanto tempo isso leva? Sabemos que n\u00e3o \u00e9 uma trajet\u00f3ria linear. Que ferramentas s\u00e3o necess\u00e1rias? Todas. A mudan\u00e7a s\u00f3 se faz com luta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><u>Feminic\u00eddio e Mulheres Negras<\/u><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ra\u00e7a e Igualdade \u2013 O \u2018Atlas da Viol\u00eancia 2021\u2019 veio a confirmar a infeliz estat\u00edstica de que as mulheres negras s\u00e3o as maiores v\u00edtimas da viol\u00eancia no Brasil: 66% das mulheres assassinadas, mostrando que em 11 anos, o homic\u00eddio dessa popula\u00e7\u00e3o aumentou 2%, enquanto o assassinato de mulheres n\u00e3o negras caiu 27% no mesmo per\u00edodo (3). Poderia comentar sobre essa viol\u00eancia racista que torna as mulheres negras as maiores v\u00edtimas do feminic\u00eddio.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Jurema Werneck &#8211; <\/strong>Nos regimes racistas, negros e negras ser\u00e3o as maiores v\u00edtimas da viol\u00eancia. Qualquer que seja a classifica\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia. Seremos as maiores v\u00edtimas junto com os ind\u00edgenas e com os ciganos. \u00c9 inescap\u00e1vel e por isso que a gente quer acabar com o racismo. N\u00e3o \u00e9 de hoje que o Atlas da Viol\u00eancia demonstra isso. Conseguimos influenciar o governo e a ONU Mulheres para fazer as estat\u00edsticas e demonstrar o que a gente j\u00e1 sabia; somos as maiores v\u00edtimas. \u00a0A complexidade desse fen\u00f4meno significa lembrar que o racismo \u00e9 patriarcal e cis-heteronormativo, como diz a ONG Criola. Ent\u00e3o, nesse miolo de interseccionalidade temos a fotografia das v\u00edtimas; s\u00e3o as trans negras e as mulheres cis negras. Vale lembrar que as trans n\u00e3o est\u00e3o nessa estat\u00edstica de feminic\u00eddio e, ainda assim, sabemos que a vitimiza\u00e7\u00e3o entre elas \u00e9 ainda maior do que entre as mulheres cis. \u00c9 importante ressaltar que tamb\u00e9m somos v\u00edtimas de homic\u00eddios fora das rela\u00e7\u00f5es de g\u00eanero, dos homic\u00eddios pela pol\u00edcia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que estou tentando dizer \u00e9: pegue uma estat\u00edstica de morte que voc\u00ea vai encontrar a mulher negra l\u00e1. Nesses \u00faltimos anos fomos n\u00f3s que hegemonizamos esse discurso. Contudo, ainda faltam muitos avan\u00e7os, ainda mais agora que tudo foi desmontado. \u00a0No debate para cria\u00e7\u00e3o da Lei Maria da Penha, j\u00e1 diz\u00edamos que tinha que se colocar um mecanismo para enfrentar o racismo, porque as mulheres negras eram as maiores v\u00edtimas. O Brasil at\u00e9 hoje comemora essa lei, mas aquelas pessoas que constru\u00edram e hegemonizaram a Lei Maria da Penha exclu\u00edram e se recusaram a colocar os mecanismos para proteger a vida das mulheres negras. S\u00e3o essas pessoas que dizem que temos que ir \u00e0 pol\u00edcia, mas desde quando pol\u00edcia \u00e9 aliada de mulher negra ou de qualquer pessoa negra? Ou seja, \u00e9 preciso enfrentar o racismo e denunci\u00e1-lo onde quer que esteja. A Lei Maria da Penha funciona para mulheres brancas porque ela foi constru\u00edda para isso. \u00a0Precisamos encontrar um outro mecanismo ou reformar esse para funcionar tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8212;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em meio \u00e0s lutas e desafios da popula\u00e7\u00e3o negra brasileira compartilhados por Jurema Werneck nesta entrevista, Ra\u00e7a e Igualdade reafirma a import\u00e2ncia da perspectiva antirracista no enfrentamento das viol\u00eancias e das opress\u00f5es que invisibilizam e desumanizam o povo negro. \u00c9 atrav\u00e9s do comprometimento com uma agenda antirracista e feminista, e no enfrentamento das pol\u00edticas neoliberais de esvaziamento de direitos, que vislumbramos um horizonte de responsabilidade coletiva e de um futuro em que os direitos humanos sejam, de fato, uma poss\u00edvel linguagem de respeito \u00e0 todas as formas de ser e existir. Assim, recomendamos ao Estado Brasileiro que:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1 \u2013 Implemente pol\u00edticas de repara\u00e7\u00e3o para as fam\u00edlias v\u00edtimas de COVID-19; sejam os \u00f3rf\u00e3os, os enlutados e as pessoas que passaram a viver com sequelas devido \u00e0 doen\u00e7a;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2 &#8211; Produza indicadores interseccionais sobre a letalidade policial sobre as mulheres negras;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3 \u2013 Implemente a Conven\u00e7\u00e3o Interamericana contra o Racismo como instrumento legal para alterar e criar leis de enfrentamento ao racismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">[1] Texto \u201cDe Ialod\u00eas e Feministas: Reflex\u00f5es sobre a a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de mulheres negras na Am\u00e9rica Latina e no Caribe\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[2] Na \u00e9poca da pesquisa e de sua apresenta\u00e7\u00e3o na CPI ainda n\u00e3o havia vacina para COVID-19<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[3]<a href=\"https:\/\/raceandequality.org\/614\">https:\/\/www.uol.com.br\/universa\/noticias\/redacao\/2021\/08\/31\/atlas-da-violencia-2021.htm<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Brasil, 20 de novembro de 2021 \u2013 Para celebrar o Dia da Consci\u00eancia Negra, simbolizado no Brasil em mem\u00f3ria ao falecimento do l\u00edder quilombola Zumbi dos Palmares, o Instituto Internacional [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":13911,"parent":0,"menu_order":0,"template":"","format":"standard","categories":[],"resources_country":[1189],"resources_language":[],"resources_audience":[],"resources_format":[],"resources_topic":[],"resources_year":[],"class_list":["post-13910","resources","type-resources","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","resources_country-brasil"],"acf":[],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/resources\/13910","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/resources"}],"about":[{"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/resources"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13911"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13910"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13910"},{"taxonomy":"resources_country","embeddable":true,"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/resources_country?post=13910"},{"taxonomy":"resources_language","embeddable":true,"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/resources_language?post=13910"},{"taxonomy":"resources_audience","embeddable":true,"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/resources_audience?post=13910"},{"taxonomy":"resources_format","embeddable":true,"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/resources_format?post=13910"},{"taxonomy":"resources_topic","embeddable":true,"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/resources_topic?post=13910"},{"taxonomy":"resources_year","embeddable":true,"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/resources_year?post=13910"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}