{"id":13955,"date":"2021-11-26T20:34:49","date_gmt":"2021-11-26T20:34:49","guid":{"rendered":"http:\/\/race01.wp\/resources\/fopafro-afaia-e-aciyomi-raca-e-igualdade-visita-parceiros-do-projeto-de-combate-ao-racismo-religioso-em-belem\/"},"modified":"2023-08-04T18:01:23","modified_gmt":"2023-08-04T18:01:23","slug":"fopafro-afaia-e-aciyomi-raca-e-igualdade-visita-parceiros-do-projeto-de-combate-ao-racismo-religioso-em-belem","status":"publish","type":"resources","link":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/resources\/fopafro-afaia-e-aciyomi-raca-e-igualdade-visita-parceiros-do-projeto-de-combate-ao-racismo-religioso-em-belem\/","title":{"rendered":"FOPAFRO, AFAIA e ACIYOMI: Ra\u00e7a e Igualdade visita parceiros do projeto de combate ao racismo religioso em Bel\u00e9m"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Brasil, 26 de novembro de 2021 \u2013 <\/strong>No m\u00eas de novembro, o Instituto Internacional sobre Ra\u00e7a, Igualdade e Direitos Humanos (Ra\u00e7a e Igualdade) esteve na cidade de Bel\u00e9m, situada no estado do Par\u00e1, regi\u00e3o Norte do Brasil, para visitar e conhecer as organiza\u00e7\u00f5es de religi\u00f5es de matriz africana, parceiras do projeto de combate ao racismo religioso no pa\u00eds. Representantes das organiza\u00e7\u00f5es <strong>FOPAFRO (F\u00f3rum Permanente de Afro-religiosos do Par\u00e1), AFAIA (Associa\u00e7\u00e3o dos Filhos e Amigos do Il\u00ea Iy\u00e1 Omi As\u00e9 Of\u00e1 Kar\u00e9) e ACIYOMI (Associa\u00e7\u00e3o Afro Religiosa e Cultural Il\u00ea IYaba Omi)<\/strong> e suas comunidades de terreiro compartilharam suas expectativas sobre o projeto e a realidade vivenciada por praticantes dessas religi\u00f5es afro-amaz\u00f4nicas em Bel\u00e9m e nas cidades do entorno.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m disso, com a visita \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es do Par\u00e1 foi poss\u00edvel concretizar, ap\u00f3s o per\u00edodo de restri\u00e7\u00f5es pand\u00eamicas [1], um <em>workshop<\/em> presencial do nosso programa de capacita\u00e7\u00e3o sobre processos de registro e obten\u00e7\u00e3o de CNPJ e as poss\u00edveis personalidades jur\u00eddicas a serem adotadas por terreiros. B\u00e1rbara Correia, Oficial do Programa de Combate ao Racismo Religioso de Ra\u00e7a e Igualdade, explica que a institucionaliza\u00e7\u00e3o jur\u00eddica das comunidades de terreiros \u00e9 importante porque torna-se um instrumento legal para que essas casas possam defender-se dos casos de intoler\u00e2ncia e racismo religioso. \u201cA constitui\u00e7\u00e3o jur\u00eddica de terreiros e coletivos ligados a religi\u00f5es afro-brasileiras, entre muitos elementos, possibilita o acesso a recursos para viabilizar e aprimorar os in\u00fameros projetos conduzidos pelas casas, suas lideran\u00e7as e seus filhos; al\u00e9m de uma prote\u00e7\u00e3o maior do patrim\u00f4nio hist\u00f3rico e cultural caracter\u00edstico dessas comunidades que s\u00e3o parte imprescind\u00edvel da constru\u00e7\u00e3o do pa\u00eds\u201d, afirma B\u00e1rbara.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo sendo uma regi\u00e3o predominantemente habitada por povos ind\u00edgenas e quilombolas, o crescimento de grupos religiosos neopentecostais evangelizadores e de uma ideologia pol\u00edtica conservadora no pa\u00eds, tem provocado uma s\u00e9rie de ataques f\u00edsicos e virtuais aos povos de terreiro. Durante as rodas de conversa, foram denunciados casos de viol\u00eancia letais contra lideran\u00e7as religiosas afro-amaz\u00f4nicas e seus praticantes e, que mesmo diante dos procedimentos formais de queixas em delegacias e \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos, desde 2015 [2], houve um crescimento vertiginoso dos casos de racismo religioso. Somente no primeiro semestre de 2020, <strong>os casos de den\u00fancias formais por intoler\u00e2ncia religiosa aumentaram 41,2%, em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo de 2019<\/strong>. Dados da Secretaria de Seguran\u00e7a P\u00fablica e Defesa Social do Par\u00e1 (Segup) revelam que, <strong>em 2020, foram registrados 230 casos de intoler\u00e2ncia\/racismo religioso<\/strong> no Estado. [3]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diante deste cen\u00e1rio de persegui\u00e7\u00e3o e viol\u00eancia religiosa, os terreiros s\u00e3o considerados quilombos de resist\u00eancia contra todo o apagamento, estigmas e preconceitos de que s\u00e3o alvos. &#8220;O racismo religioso \u00e9 a nega\u00e7\u00e3o do direito de exercer a minha f\u00e9, a minha dignidade e minha plena cidadania\u201d, relata o <strong>Babalorix\u00e1 Edson Catend\u00ea, lideran\u00e7a religiosa da AFAIA<\/strong>. Para o Babalorix\u00e1, o hist\u00f3rico agressivo de racismo religioso no Par\u00e1 traz uma preocupa\u00e7\u00e3o recorrente de que esses casos possam acontecer a qualquer momento, uma vez que as den\u00fancias de racismo religioso s\u00e3o negligenciadas pelas autoridades policiais e pelo judici\u00e1rio. Fundada em 17 de julho de 1987, a AFAIA \u00e9 uma associa\u00e7\u00e3o \u201cvoltada para as melhorias nas condi\u00e7\u00f5es de vida da popula\u00e7\u00e3o negra, atrav\u00e9s de projetos culturais e socioecon\u00f4micos combatendo o racismo, o sexismo, a homofobia e o xenofobismo\u201d. [4]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Localizada no bairro da Terra Firme, um dos bairros mais populosos e pobres de Bel\u00e9m, composto em sua maioria por negros amaz\u00f4nicos, <strong>o Il\u00ea IYaba Omi, fundado pela Yalorix\u00e1 M\u00e3e Nalva de Osum<\/strong>, deu os primeiros passos como casa de tradi\u00e7\u00f5es de matriz africana no final da d\u00e9cada de 90, em que passou a ser parte integrante de movimentos sociais da regi\u00e3o. No entanto, foi somente em 2004, que a ACYIOMI se tornou uma associa\u00e7\u00e3o afro-religiosa e cultural [5]. \u00a0A associa\u00e7\u00e3o \u201c\u00e9 pioneira e principal articuladora da Rede Sa\u00fade nos Terreiros no estado do Par\u00e1 em parceria com o Governo do Estado, desenvolvendo, empoderando e fortalecendo as demais associa\u00e7\u00f5es afro-religiosas e casas de terreiros parceiros da rede. Ademais, desenvolve trabalho de inclus\u00e3o social e racial com as mulheres benefici\u00e1rias do programa Fome Zero\u201d [6].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No encontro com a M\u00e3e Nalva de Osum e as integrantes da ACYIOMI, foram diversos os relatos de racismo religioso cujas manifesta\u00e7\u00f5es de \u00f3dio recaem diretamente sobre suas roupas e acess\u00f3rios, caracter\u00edsticos das religi\u00f5es de matriz africana, sejam em eventos p\u00fablicos organizados por povos de terreiro ou n\u00e3o. Nessas situa\u00e7\u00f5es entendem que \u00e9 importante andar em grupos para que possam se defender, pois s\u00e3o constantemente alvo de estigmas, preconceitos e at\u00e9 mesmo manifesta\u00e7\u00f5es presenciais de intoler\u00e2ncia e racismo religioso. Recentemente, em um cortejo organizado pela ACYIOMI, sofreram um abuso nas redes sociais ao terem sua liberdade de express\u00e3o religiosa atacada, por uma filmagem da p\u00e1gina Direita do Par\u00e1 em uma rede social, que descrevia o evento com discurso de \u00f3dio e racismo religioso. [7].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m disso, os povos de terreiro do Par\u00e1 denunciam que a intoler\u00e2ncia tamb\u00e9m se reflete no impedimento de ir e vir nos espa\u00e7os p\u00fablicos da cidade. Como exemplo, citam casos em que motoristas de aplicativos de transporte privado, recusam uma corrida por preconceito quanto \u00e0s suas vestimentas religiosas. Com muito pesar e indigna\u00e7\u00e3o, o <strong>Babalorix\u00e1 Emannuel Omioryan, representante da FOPAFRO<\/strong>, lamenta o clima de opress\u00e3o e destaca a import\u00e2ncia de pensar estrat\u00e9gias de prote\u00e7\u00e3o e de combate ao racismo religioso na regi\u00e3o. &#8220;Racismo religioso \u00e9 n\u00e3o poder praticar a nossa f\u00e9, a f\u00e9 dos nossos ancestrais que eram reis e rainhas que tinham todo o carinho, poder e amor com a natureza&#8221;, conclui.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desse modo, Ra\u00e7a e Igualdade refor\u00e7a seu posicionamento e compromisso no combate ao racismo religioso no Brasil, entendendo que \u00e9 crucial o fortalecimento das organiza\u00e7\u00f5es que lutam pela liberdade e toler\u00e2ncia religiosa, para que os direitos como a liberdade de culto e de cren\u00e7a sejam alcan\u00e7ados e priorizados em um Estado constitucionalmente laico. Assim, recomendamos ao Estado brasileiro e ao Estado do Par\u00e1:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1 \u2013 Cria\u00e7\u00e3o de mecanismos legislativos e pol\u00edticas p\u00fablicas que visem coletar e analisar dados sobre racismo religioso e viol\u00eancia contra praticantes de religi\u00f5es de matriz africana;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2 \u2013 Elabora\u00e7\u00e3o de programas educacionais para inst\u00e2ncias policiais e judici\u00e1rias que visem combater estigmas e preconceitos diante das den\u00fancias dos casos de racismo religioso;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3 \u2013 Cria\u00e7\u00e3o de um programa de visibiliza\u00e7\u00e3o das religi\u00f5es afro-amaz\u00f4nicas para escolas e espa\u00e7os culturais que valorizem as popula\u00e7\u00f5es ribeirinhas e urbanas da regi\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[1] Nesses encontros presenciais foram adotadas todas as medidas sanit\u00e1rias protocoladas pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[2] <a href=\"https:\/\/raceandequality.org\/1305\">https:\/\/etetuba.blogspot.com\/2016\/08\/povos-e-comunidades-tradicionais-de.html<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[3] <a href=\"https:\/\/raceandequality.org\/1306\">https:\/\/www.oliberal.com\/para\/intolerancia-religiosa-e-maior-com-religioes-de-matrizes-africanas-1.346159<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[4] <a href=\"https:\/\/raceandequality.org\/1307\">https:\/\/www.facebook.com\/afaiabelem<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[5] e [6] \u00a0<a href=\"https:\/\/raceandequality.org\/1308\">https:\/\/ancestralidadeafricana.org.br\/terreiros\/aciyomi\/<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[7] O v\u00eddeo j\u00e1 foi retirado das redes sociais<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Brasil, 26 de novembro de 2021 \u2013 No m\u00eas de novembro, o Instituto Internacional sobre Ra\u00e7a, Igualdade e Direitos Humanos (Ra\u00e7a e Igualdade) esteve na cidade de Bel\u00e9m, situada no [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":13956,"parent":0,"menu_order":0,"template":"","format":"standard","categories":[],"resources_country":[1189],"resources_language":[],"resources_audience":[],"resources_format":[],"resources_topic":[],"resources_year":[],"class_list":["post-13955","resources","type-resources","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","resources_country-brasil"],"acf":[],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/resources\/13955","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/resources"}],"about":[{"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/resources"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13956"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13955"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13955"},{"taxonomy":"resources_country","embeddable":true,"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/resources_country?post=13955"},{"taxonomy":"resources_language","embeddable":true,"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/resources_language?post=13955"},{"taxonomy":"resources_audience","embeddable":true,"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/resources_audience?post=13955"},{"taxonomy":"resources_format","embeddable":true,"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/resources_format?post=13955"},{"taxonomy":"resources_topic","embeddable":true,"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/resources_topic?post=13955"},{"taxonomy":"resources_year","embeddable":true,"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/resources_year?post=13955"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}