{"id":14423,"date":"2022-08-19T18:28:06","date_gmt":"2022-08-19T18:28:06","guid":{"rendered":"http:\/\/race01.wp\/resources\/mes-da-visibilidade-lesbica-i-viradao-sapatao-do-complexo-do-alemao-reune-lesbicas-do-rio-de-janeiro\/"},"modified":"2023-08-04T18:05:38","modified_gmt":"2023-08-04T18:05:38","slug":"mes-da-visibilidade-lesbica-i-viradao-sapatao-do-complexo-do-alemao-reune-lesbicas-do-rio-de-janeiro","status":"publish","type":"resources","link":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/resources\/mes-da-visibilidade-lesbica-i-viradao-sapatao-do-complexo-do-alemao-reune-lesbicas-do-rio-de-janeiro\/","title":{"rendered":"M\u00eas da Visibilidade L\u00e9sbica: I Virad\u00e3o Sapat\u00e3o do Complexo do Alem\u00e3o re\u00fane l\u00e9sbicas  do Rio de Janeiro"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Brasil, 19 de agosto de 2022 \u2013 <\/strong>Para comemorar o <strong>M\u00eas da Visibilidade L\u00e9sbica no Brasil<\/strong>, nos dias 12 e 13 de agosto, o Instituto Brasileiro de L\u00e9sbicas (IBL) junto a diversos coletivos de l\u00e9sbicas do Rio de Janeiro, realizou o <strong>I Virad\u00e3o Sapat\u00e3o do Complexo Alem\u00e3o<\/strong>, situado na Zona Norte da cidade. Ademais, o encontro agregou mais dois importantes eventos da comunidade l\u00e9sbica: o <strong>I Encontro de L\u00e9sbicas do Estado do Rio de Janeiro (ENLES) e a III Visibilidade L\u00e9sbica do Alem\u00e3o<\/strong>. Ap\u00f3s o per\u00edodo de isolamento pand\u00eamico, esses eventos marcaram o retorno das atividades presenciais com intuito de visibilizar o legado do movimento de l\u00e9sbicas atrav\u00e9s de mesas de debates e interven\u00e7\u00f5es pol\u00edtico-culturais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Unindo-se as celebra\u00e7\u00f5es que marcam as festividades l\u00e9sbicas neste m\u00eas de agosto, o Instituto Internacional sobre Ra\u00e7a, Igualdade e Direitos Humanos (Ra\u00e7a e Igualdade), rememora o porqu\u00ea os dias <strong>19 de agosto, Dia do Orgulho L\u00e9sbico, e o dia 29 de agosto, Dia da Visibilidade L\u00e9sbica<\/strong>, s\u00e3o marcos importantes para o movimento. A primeira data faz refer\u00eancia ao ano de 1983, quando militantes do Grupo A\u00e7\u00e3o L\u00e9sbica Feminista (Galf) ocuparam o Ferro\u2019s Bar, em S\u00e3o Paulo, ap\u00f3s serem expulsas do local por tentarem distribuir um boletim de publica\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria chamado \u201cChanacomChana\u201d. A a\u00e7\u00e3o ficou conhecida como o \u201cStonewall brasileiro\u201d, em alus\u00e3o a manifesta\u00e7\u00e3o ocorrida em Nova York, em junho de 1969, na qual a popula\u00e7\u00e3o LBGTI+ tamb\u00e9m se manifestou contra as viol\u00eancias sofridas e pelo reconhecimento dos seus direitos. [1]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 o dia 29 de agosto, corresponde ao I Semin\u00e1rio Nacional de L\u00e9sbicas (Senale), em 1996, no Rio de Janeiro, que buscou tratar das diversas opress\u00f5es relativas ao g\u00eanero e a sexualidade, tanto \u00e0s viola\u00e7\u00f5es dos direitos das mulheres como as quest\u00f5es de representatividade e visibilidade da comunidade l\u00e9sbica. [2]. Em m\u00e3os dessa breve contextualiza\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, Ra\u00e7a e Igualdade esteve presente no \u2018<em>I Virad\u00e3o Sapat\u00e3o do Complexo do Alem\u00e3o\u2019<\/em> e conversou com lideran\u00e7as e ativistas do movimento l\u00e9sbico sobre os atravessamentos e direitos da comunidade l\u00e9sbica no Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para Michelle Seixas, Diretora Geral do IBL, Coordenadora Pol\u00edtica Nacional da Articula\u00e7\u00e3o Brasileira de L\u00e9sbicas (ABL) e uma das organizadoras do Virad\u00e3o Sapat\u00e3o, a import\u00e2ncia de realizar um evento para mulheres l\u00e9sbicas em um territ\u00f3rio de favelas, est\u00e1 em marcar seus pertencimentos territoriais para reafirmar que sim, existem mulheres l\u00e9sbicas pautando suas exist\u00eancias dentro de suas comunidades. \u201c\u00c9 preciso que as pessoas tenham a consci\u00eancia de que o \u2018L\u2019 tem que estar na frente verdadeiramente, e n\u00e3o somente uma letra que comp\u00f5e a sigla LGBT\u201d, enfatiza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Atrav\u00e9s de seu ativismo pelos direitos das mulheres l\u00e9sbica, Michelle Seixas ressalta a import\u00e2ncia de as l\u00e9sbicas ocuparem diversos espa\u00e7os, inclusive os espa\u00e7os de poder, uma vez que vivemos numa disputa de narrativas e o intuito \u00e9 que suas vozes ressoem al\u00e9m de seus espa\u00e7os privados. \u201cEu falo sobre o que \u00e9 ser l\u00e9sbica em qualquer lugar, inclusive nos espa\u00e7os acad\u00eamicos, porque eu tamb\u00e9m sou uma l\u00e9sbica pesquisadora e \u00e9 importante que a gente produza cada vez mais dados sobre n\u00f3s. Isso contribui para que tenhamos visibilidade e sejamos ouvidas\u201d.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u201cApesar de todo retrocesso pol\u00edtico, os parceiros olharam para a gente com um olhar mais sens\u00edvel, como o Instituto Ra\u00e7a e Igualdade, que veio contribuir com o nosso primeiro financiamento internacional. Geralmente, a gente n\u00e3o escuta falar que grupo de l\u00e9sbicas recebem financiamento internacional, n\u00e9? Outras letras (da sigla LGBT) j\u00e1 alcan\u00e7aram esse lugar, mas para a gente que faz parte do movimento l\u00e9sbico est\u00e1 sendo in\u00e9dito e muito importante\u201d (Michelle Seixas \u2013 IBL e ABL)<\/em><\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00a0<\/em>Respons\u00e1vel por diversas interven\u00e7\u00f5es art\u00edsticas do Virad\u00e3o Sapat\u00e3o, a atriz, produtora e ativista cultural Nilda Andrade, possui um grupo de teatro no Complexo do Alem\u00e3o e compartilhou que sua inser\u00e7\u00e3o na milit\u00e2ncia a ajudou a entender seus direitos como mulher l\u00e9sbica e os limites que precisam ser impostos para que n\u00e3o sofram com estigmas e viola\u00e7\u00f5es de seus corpos e direitos. Assim, Nilda enfatiza a import\u00e2ncia desses encontros e rodas de conversas, para que as mulheres l\u00e9sbicas aprendam a se proteger e reafirmarem seus direitos.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u201cA import\u00e2ncia \u00e9 essa da gente se reafirmar, n\u00e9? Enquanto mulher l\u00e9sbica no nosso territ\u00f3rio de favela tivemos que nos esconder por muito tempo, e agora n\u00e3o mais, olha s\u00f3 a gente aqui pautando os nossos direitos. E isso n\u00e3o \u00e9 um pedido. Como eu falei, a gente n\u00e3o tem que pedir para as pessoas nos aceitarem, pois \u00e9 apenas o respeito que a gente busca, n\u00e9? E essas rodas empoderam mais a gente de territ\u00f3rio de favelas sim, como n\u00f3s nos enxergamos e como nosso corpo \u00e9 lido dentro da favela como uma mulher l\u00e9sbica\u201d (Nilda Andrade \u2013 Produtora Cultural)<\/em><\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333; font-size: 16px;\">Nilda relata que j\u00e1 sofreu lesbofobia duas vezes e denuncia a fetichiza\u00e7\u00e3o das mulheres l\u00e9sbicas, e a partir das suas viv\u00eancias aponta que o respeito pelas mulheres l\u00e9sbicas precisa ser refor\u00e7ado como uma atitude educacional a todo momento. Desse modo, ela deixa uma mensagem para as mulheres l\u00e9sbicas que foi muito importante em seu reconhecimento e empoderamento como mulher l\u00e9sbica: \u201cs\u00f3 o que a gente sente explica o que a gente faz.\u201d<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mulher negra oriunda de territ\u00f3rio de favelas de Salvador, Altamira Sim\u00f5es \u00e9 Coordenadora da Candaces &#8211; Rede Nacional de L\u00e9sbicas e Bissexuais Negras Feministas, e foi uma das participantes da roda de conversa sobre sa\u00fade l\u00e9sbica. Altamira traz \u00e0 tona as implica\u00e7\u00f5es ps\u00edquicas do racismo para as mulheres negras de favelas e ressalta que o dia 29 de agosto \u00e9 um marco de luta por conta de todas as viol\u00eancias que as mulheres l\u00e9sbicas sofrem devido ao machismo patriarcal e, com isso, as mulheres que amam e sentem prazer com outras mulheres s\u00e3o alvos direto desses marcadores de viol\u00eancia e poder. Ao abordar a necessidade de pol\u00edticas p\u00fablicas que contemplem mulheres l\u00e9sbicas idosas, Altamira Sim\u00f5es refere-se \u00e0 Heliana Hemet\u00e9rio, Articuladora Nacional da Candaces e uma das fundadoras da Rede, que atualmente possui 70 anos e refor\u00e7a a import\u00e2ncia deste debate et\u00e1rio sobre as l\u00e9sbicas.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u201cUm dos debates que ela traz \u00e9 apresentar para a sociedade que as mulheres a partir dos 50 anos tamb\u00e9m sentem prazer sexual e mant\u00eam rela\u00e7\u00f5es sexuais, porque n\u00e3o est\u00e3o mortas. Essa nega\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 uma forma de crise ideol\u00f3gica dessa sociedade extremamente machista que invisibiliza essas mulheres e, principalmente, sendo mulher l\u00e9sbica, n\u00e9? A sociedade patriarcal n\u00e3o aceita que mulheres sintam prazeres com outras mulheres. Porque o que predomina \u00e9 essa viv\u00eancia faloc\u00eantrica. Ent\u00e3o, hoje debatemos que a mulher l\u00e9sbica madura precisa ter uma pol\u00edtica de espec\u00edfica de sa\u00fade para esses corpos que est\u00e3o envelhecendo\u201d. (Altamira Sim\u00f5es \u2013 Candaces)<\/em><\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Coordenadora da Candaces complementa seu argumento, tendo em conta que uma vez que essas mulheres chegam na terceira idade, al\u00e9m de terem seus desejos apagados, suas identidades tamb\u00e9m s\u00e3o apagadas. Por isso, \u00e9 fundamental que visibilizem suas exist\u00eancias e n\u00e3o inseri-las em asilos imagin\u00e1rios e asilos sociais, porque esse \u00e9 o atual destino das mulheres l\u00e9sbicas de terceira idade. \u201cO isolamento leva a muitas mulheres a desenvolverem sofrimento ps\u00edquico, uma vez que j\u00e1 n\u00e3o se relacionam mais com outras mulheres, sobretudo as mulheres negras. A sociedade termina empurrando essas pessoas para um mundo e um espa\u00e7o em que a pol\u00edtica n\u00e3o chega, e o que chega \u00e9 o sofrimento e o adoecimento\u201d, alerta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ra\u00e7a e Igualdade sa\u00fada eventos que prestigiam, fortalecem e pautam os direitos de mulheres l\u00e9sbicas em todo o Brasil, recordando que a agenda por direitos de mulheres LBT deve ser visibilizada durante todo o ano, e que o Orgulho e a Visibilidade L\u00e9sbica sejam datas comemorativas em que possam ir al\u00e9m do compartilhamento de dores e viola\u00e7\u00f5es ps\u00edquicas e f\u00edsicas. Casos como suic\u00eddio, estupros corretivos e terapias de convers\u00e3o s\u00e3o uma realidade constante da popula\u00e7\u00e3o l\u00e9sbica e, para isso, unimo-nos as lutas destas mulheres para denunciar e pleitear por pol\u00edticas reparat\u00f3rias e antidiscriminat\u00f3rias. Assim, finalizamos com a mensagem de Altamira Sim\u00f5es para celebrar o M\u00eas da Visibilidade L\u00e9sbica: \u201cQue a gente se junte em qualquer canto desse pa\u00eds no M\u00eas da Visibilidade L\u00e9sbica, porque onde estiver duas ou tr\u00eas l\u00e9sbicas reunidas, estamos fazendo revolu\u00e7\u00e3o!\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">[1] e [2] <a href=\"https:\/\/raceandequality.org\/1450\">http:\/\/oldrace.wp\/es\/brazil-es\/dia-nacional-da-visibilidade-lesbica-e-sua-potencia-na-luta-pela-representatividade\/<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Brasil, 19 de agosto de 2022 \u2013 Para comemorar o M\u00eas da Visibilidade L\u00e9sbica no Brasil, nos dias 12 e 13 de agosto, o Instituto Brasileiro de L\u00e9sbicas (IBL) junto [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":14424,"parent":0,"menu_order":0,"template":"","format":"standard","categories":[],"resources_country":[1190],"resources_language":[],"resources_audience":[],"resources_format":[],"resources_topic":[1103],"resources_year":[],"class_list":["post-14423","resources","type-resources","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","resources_country-brasil-pt-br","resources_topic-lgbti-pt-br"],"acf":[],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/resources\/14423","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/resources"}],"about":[{"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/resources"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/14424"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14423"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14423"},{"taxonomy":"resources_country","embeddable":true,"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/resources_country?post=14423"},{"taxonomy":"resources_language","embeddable":true,"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/resources_language?post=14423"},{"taxonomy":"resources_audience","embeddable":true,"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/resources_audience?post=14423"},{"taxonomy":"resources_format","embeddable":true,"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/resources_format?post=14423"},{"taxonomy":"resources_topic","embeddable":true,"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/resources_topic?post=14423"},{"taxonomy":"resources_year","embeddable":true,"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/resources_year?post=14423"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}