{"id":14595,"date":"2022-10-18T08:55:07","date_gmt":"2022-10-18T08:55:07","guid":{"rendered":"http:\/\/race01.wp\/resources\/sete-fatos-que-voce-deve-saber-sobre-a-situacao-das-pessoas-transmasculinas-e-de-genero-nao-binario-na-regiao-andina\/"},"modified":"2023-08-04T18:15:22","modified_gmt":"2023-08-04T18:15:22","slug":"sete-fatos-que-voce-deve-saber-sobre-a-situacao-das-pessoas-transmasculinas-e-de-genero-nao-binario-na-regiao-andina","status":"publish","type":"resources","link":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/resources\/sete-fatos-que-voce-deve-saber-sobre-a-situacao-das-pessoas-transmasculinas-e-de-genero-nao-binario-na-regiao-andina\/","title":{"rendered":"Sete fatos que voc\u00ea deve saber sobre a situa\u00e7\u00e3o das pessoas transmasculinas e de g\u00eanero n\u00e3o-bin\u00e1rio na regi\u00e3o andina"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong><em>Seis defensores de direitos humanos da regi\u00e3o compartilharam informa\u00e7\u00f5es na Conversa Internacional \u201cIdentidade, nosso direito\u201d, realizada no \u00e2mbito da 52\u00aa Assembl\u00e9ia Geral da OEA em Lima.<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>Washington DC, 18 de outubro de 2022.-<\/strong> Nenhuma pessoa pode ter uma vida digna sem um documento de identidade que lhe permita acessar seus direitos fundamentais e que realmente a represente. No Peru, pessoas transmasculinas e de g\u00eanero n\u00e3o-bin\u00e1rio devem passar por processos legais caros, longos e incertos para que seus nomes e\/ou g\u00eanero sejam alterados em seus documentos de identifica\u00e7\u00e3o (RG). Em outros estados da regi\u00e3o, apesar de haver regulamenta\u00e7\u00f5es nesse sentido, ainda existem dificuldades que causam falta de prote\u00e7\u00e3o e viol\u00eancia contra pessoas de g\u00eaneros diversos.<\/p>\n<p>No \u00e2mbito da 52\u00aa Assembleia Geral da Organiza\u00e7\u00e3o dos Estados Americanos (OEA) &#8220;Juntos contra a desigualdade e a discrimina\u00e7\u00e3o&#8221;, que aconteceu de 5 a 7 de outubro em Lima, o Instituto Internacional sobre Ra\u00e7a, Igualdade e Direitos Humanos (Ra\u00e7a e Igualdade), Fraternidad Trans Masculina Per\u00fa e Fuerza No Binarie realizaram a Conversa Internacional sobre Transmasculinidades e Pessoas N\u00e3o-Bin\u00e1rias: &#8220;Identidade, nosso direito&#8221;.<\/p>\n<p>Esse evento foi desenvolvido de forma h\u00edbrida (voc\u00ea pode ver a discuss\u00e3o completa <a href=\"https:\/\/raceandequality.org\/1492\">nesse link<\/a>) e participaram representantes e ativistas de organiza\u00e7\u00f5es de pa\u00edses da regi\u00e3o sul, como Mateo Rodrigo Solares, da Hombres Trans Diversos da Bol\u00edvia; Michael Gabriel De Prada Padilla, da Fraternidade Trans Masculina do Equador; e Gabe Van, da Liga Transmasculina Jo\u00e3o W. Nery do Brasil. Do Peru, Kit Huayas Bernab\u00e9, da Fuerza No Binari; e Fhran Medina, consultor jur\u00eddico peruano especializado em direito \u00e0 identidade. Al\u00e9m disso, a discuss\u00e3o foi liderada por Bruno Montenegro, coordenador da Fraternidade Transmasculina do Peru.<\/p>\n<div id=\"attachment_14343\" style=\"width: 650px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-14343\" class=\"wp-image-14343 size-large lazyload\" data-src=\"https:\/\/raceandequality.org\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/WhatsApp-Image-2022-10-07-at-83100-PM-1-1024x682.jpeg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"426\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" style=\"--smush-placeholder-width: 640px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 640\/426;\" \/><p id=\"caption-attachment-14343\" class=\"wp-caption-text\"><em>Kit Huayas Bernab\u00e9, pessoas de g\u00eanero n\u00e3o-bin\u00e1rio da Fuerza No Binarie do Peru.<\/em><\/p><\/div>\n<p>Durante uma hora e meia, seis defensores de direitos humanos da regi\u00e3o compartilharam informa\u00e7\u00f5es sobre os diversos marcos jur\u00eddicos de seus pa\u00edses, suas experi\u00eancias na luta contra as barreiras institucionais e sociais que devem ultrapassar devido \u00e0 sua identidade de g\u00eanero. Aqui est\u00e1 um resumo de sete ideias principais que a conversa deixou:<\/p>\n<ol>\n<li><strong>A lei n\u00e3o \u00e9 suficiente<\/strong>. Embora, em pa\u00edses como Bol\u00edvia e Equador, exista uma lei de identidade de g\u00eanero, isso n\u00e3o garante prote\u00e7\u00e3o integral para pessoas transmasculinas e de g\u00eanero n\u00e3o-bin\u00e1rio. Na Bol\u00edvia, inclusive, apenas as pessoas trans t\u00eam o campo &#8216;g\u00eanero&#8217; em sua carteira de identidade, enquanto as pessoas cisg\u00eanero mant\u00eam a categoria &#8216;sexo&#8217; em seus documentos. Consequentemente, essa diferencia\u00e7\u00e3o que \u00e9 feita com a lei de identidade de g\u00eanero acaba por expor as pessoas trans a situa\u00e7\u00f5es de vulnerabilidade.<\/li>\n<li><strong>A altera\u00e7\u00e3o dos dados de sexo n\u00e3o possui um procedimento padr\u00e3o. <\/strong>No Peru, a \u00fanica maneira de alterar o dado &#8216;sexo&#8217; no documento de identidade \u00e9 por meio de um processo judicial caro, demorado e revitimizante. Al\u00e9m disso, os tribunais em n\u00edvel nacional n\u00e3o possuem um procedimento padr\u00e3o para isso. Alguns ju\u00edzes exigem atestados psicol\u00f3gicos e psiqui\u00e1tricos, al\u00e9m de prontu\u00e1rios m\u00e9dicos que comprovem alguma cirurgia no corpo para validar a altera\u00e7\u00e3o dos dados de sexo.<\/li>\n<li><strong>A identidade de g\u00eanero n\u00e3o \u00e9 bin\u00e1ria. <\/strong>Os dois projetos de identidade de g\u00eanero existentes no Peru consideram apenas pessoas transfemininas e transmasculinas, n\u00e3o incluindo nem nomeando pessoas de g\u00eanero n\u00e3o-bin\u00e1rio.<\/li>\n<li><strong>Pessoas transmasculinas fazem abortos. <\/strong>Se por si s\u00f3 o direito ao aborto \u00e9 uma quest\u00e3o controversa em muitos pa\u00edses latino-americanos, em pa\u00edses onde \u00e9 legal \u2014em certos fundamentos\u2014, nenhuma legisla\u00e7\u00e3o menciona a capacidade e o desejo de gestar de corpos transmasculinos e n\u00e3o-bin\u00e1rios. Muitas vezes, pensa-se que n\u00e3o h\u00e1 possibilidade de exigir o servi\u00e7o de aborto, uma vez que tenha sido decidida a transi\u00e7\u00e3o para a masculinidade ou neutralidade.<\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"5\">\n<li>\n<div id=\"attachment_14350\" style=\"width: 650px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-14350\" class=\"wp-image-14350 size-large lazyload\" data-src=\"https:\/\/raceandequality.org\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/MG_3375-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"427\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" style=\"--smush-placeholder-width: 640px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 640\/427;\" \/><p id=\"caption-attachment-14350\" class=\"wp-caption-text\"><em>Bruno Montenegro, Mateo Rodrigo Solares, Gabriel de Prada Padilla, Kit Huaynas Bernab\u00e9, Fhran Medina y Gaby Van.<\/em><\/p><\/div>\n<p><strong>A medicina continua a estigmatizar as pessoas trans. <\/strong>No campo da sa\u00fade, as pessoas de g\u00eanero trans e n\u00e3o-bin\u00e1rias s\u00e3o catalogadas com diagn\u00f3sticos patologizantes. S\u00e3o pouqu\u00edssimos os profissionais de sa\u00fade que n\u00e3o buscam tornar as pessoas trans &#8220;normais&#8221;, ou seja, heterossexuais cisg\u00eaneros. No caso do Brasil, apesar de ter uma portaria que viabiliza o processo de sexualiza\u00e7\u00e3o trans pelo Sistema \u00danico de Sa\u00fade, poucos estados disponibilizam horm\u00f4nios, e o fazem sem respeitar a identidade e a presen\u00e7a trans nos espa\u00e7os de sa\u00fade.<\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"6\">\n<li><strong>Discrimina\u00e7\u00e3o contra pessoas transmasculinas tamb\u00e9m afeta seus filhos<\/strong>. Nos pa\u00edses onde existe uma lei de identidade de g\u00eanero, ainda h\u00e1 batalhas judiciais contra o Registro Civil, pois n\u00e3o h\u00e1 procedimentos que reconhe\u00e7am os filhos de pais transmasculinos e seu direito \u00e0 fam\u00edlia.<\/li>\n<li><strong>Pessoas transmasculinas e n\u00e3o-bin\u00e1rias tamb\u00e9m sofrem outras viol\u00eancias<\/strong>. Ao falar sobre a popula\u00e7\u00e3o de g\u00eanero n\u00e3o normativa, \u00e9 importante enfatizar de qual corpo se est\u00e1 falando. No Brasil, a cada 23 minutos um negro \u00e9 assassinado. \u00c9 o pa\u00eds da regi\u00e3o onde mais pessoas trans s\u00e3o mortas e \u00e9 o quinto onde mais pessoas transmasculinas cometem suic\u00eddio. Tornar vis\u00edveis essas interseccionalidades e o grau de viol\u00eancia a que as pessoas transmasculinas e n\u00e3o-bin\u00e1rias est\u00e3o expostas \u00e9 crucial para melhorar seus contextos.<\/li>\n<\/ol>\n<p>O evento culminou com a interven\u00e7\u00e3o de Fhran Medina, que recomendou o consumo da produ\u00e7\u00e3o acad\u00eamica realizada por pesquisadores trans da regi\u00e3o; o primeiro \u00e9 &#8220;<a href=\"https:\/\/raceandequality.org\/696\">Corpos e resist\u00eancias que transgridem a pandemia<\/a>\u201d de Ra\u00e7a e Igualdade, e o segundo \u00e9 \u201c<a href=\"https:\/\/raceandequality.org\/697\">Homens n\u00e3o choram: preconceitos sobre identidades transmasculinas na regi\u00e3o andina<\/a>\u201d da Funda\u00e7\u00e3o GAAT.<\/p>\n<p>Cabe destacar que tanto no Peru quanto no Brasil, Ra\u00e7a e Igualdade vem apoiando os processos legais de mudan\u00e7a de nome nos documentos de identifica\u00e7\u00e3o de pessoas trans e n\u00e3o-bin\u00e1rias. A Fraternidad Trans Masculina Peru recebeu, durante 2021, mais de 70 solicita\u00e7\u00f5es para processar processos de mudan\u00e7a de nome para pessoas trans. Em 2022, com o apoio do Ra\u00e7a e Igualdade, ser\u00e3o realizados \u200b\u200bgratuitamente 16 casos de mudan\u00e7a de nome de pessoas trans em estado de vulnerabilidade. Da mesma forma, no Brasil, ser\u00e1 alcan\u00e7ada a mudan\u00e7a de nome de mais de 100 pessoas trans, em alian\u00e7a com a organiza\u00e7\u00e3o Grupo Pela Vidda.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Seis defensores de direitos humanos da regi\u00e3o compartilharam informa\u00e7\u00f5es na Conversa Internacional \u201cIdentidade, nosso direito\u201d, realizada no \u00e2mbito da 52\u00aa Assembl\u00e9ia Geral da OEA em Lima. 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