{"id":14600,"date":"2022-11-20T13:26:07","date_gmt":"2022-11-20T13:26:07","guid":{"rendered":"http:\/\/race01.wp\/resources\/memoria-trans-interseccionalidade-nos-assassinatos-de-pessoas-trans-da-america-latina\/"},"modified":"2023-08-04T18:05:37","modified_gmt":"2023-08-04T18:05:37","slug":"memoria-trans-interseccionalidade-nos-assassinatos-de-pessoas-trans-da-america-latina","status":"publish","type":"resources","link":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/resources\/memoria-trans-interseccionalidade-nos-assassinatos-de-pessoas-trans-da-america-latina\/","title":{"rendered":"Mem\u00f3ria trans: interseccionalidade nos assassinatos de pessoas trans da Am\u00e9rica Latina"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong><em>No Dia da Mem\u00f3ria Trans, destacamos que os crimes de \u00f3dio contra pessoas trans t\u00eam ra\u00e7a, classe e g\u00eanero: a maioria das v\u00edtimas s\u00e3o mulheres trans negras, migrantes e profissionais do sexo.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Washington DC, 20 de novembro de 2022.\u2013<\/strong> No mundo, h\u00e1 pessoas que morrem por transfobia e indiferen\u00e7a, muitas no anonimato e na impunidade. Hoje, no Trans Memorial Day, o Instituto Internacional sobre Ra\u00e7a, Igualdade e Direitos Humanos (Ra\u00e7a e Igualdade) quer comemorar as exist\u00eancias trans ajudando a manter viva a mem\u00f3ria e reivindicando o direito \u00e0 igualdade, \u00e0 n\u00e3o discrimina\u00e7\u00e3o e a uma vida sem viol\u00eancia motivada pelo \u00f3dio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O dia 20 de novembro ficou marcado no calend\u00e1rio em homenagem a Rita Hester, uma mulher trans afrodescendente que foi cruelmente assassinada em 28 de novembro de 1998 em seu apartamento localizado em Boston, conforme relata <a href=\"https:\/\/raceandequality.org\/698\">NBC News<\/a>, 2 dias antes de completar 35 anos. Ap\u00f3s o terr\u00edvel evento, Gwendolyn Ann Smith, outra mulher trans e ativista americana, lan\u00e7ou uma vig\u00edlia em seu nome, onde cerca de 250 pessoas se reuniram. At\u00e9 ent\u00e3o, v\u00e1rias pessoas LGBTI j\u00e1 haviam sido assassinadas nos Estados Unidos, v\u00e1rias delas mulheres trans negras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rita Hester tornou-se um s\u00edmbolo de mem\u00f3ria e reconhecimento de todas as pessoas trans que foram mortas por n\u00e3o cumprirem as expectativas sociais e as normas relacionadas ao g\u00eanero.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Os assassinatos t\u00eam um componente racial<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como todos os anos, na v\u00e9spera do dia 20 de novembro, o Observat\u00f3rio de Pessoas Trans Assassinadas (TMM) do TGEU, publicou o seu relat\u00f3rio anual sobre assassinatos de pessoas trans e com g\u00eanero diverso em todo o mundo. Segundo os dados, entre 1\u00ba de outubro de 2021 e 30 de setembro de 2022, houve 327 assassinatos em todo o mundo, dos quais 95% do total de assassinatos foram de mulheres transexuais e travestis e mais da metade estavam envolvidas no trabalho sexual. Al\u00e9m disso, o relat\u00f3rio observa que 35% das pessoas mortas na Europa eram migrantes. No entanto, a regi\u00e3o que mais notificou nos \u00faltimos anos \u00e9 a Am\u00e9rica Latina e o Caribe, onde se concentram 68% das mortes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outros detalhes importantes que o relat\u00f3rio fornece s\u00e3o ra\u00e7a e idade. Pessoas trans n\u00e3o brancas respondem por 65% dos assassinatos registrados e a maioria das v\u00edtimas de assassinato tinha entre 31 e 40 anos. O local mais comum onde ocorreram os homic\u00eddios foi a rua e, em segundo lugar, a pr\u00f3pria resid\u00eancia. Vale a pena mencionar que muitos dos assassinatos continuam sem den\u00fancia ou s\u00e3o classificados erroneamente. Na maioria dos pa\u00edses, os Estados n\u00e3o contam com sistemas de registro que incluam as categorias &#8216;identidade de g\u00eanero ou orienta\u00e7\u00e3o sexual&#8217;, de modo que as organiza\u00e7\u00f5es civis de direitos humanos s\u00e3o as que coletam esses dados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Cuba e Nicar\u00e1gua: n\u00e3o h\u00e1 informa\u00e7\u00f5es sobre regimes autorit\u00e1rios<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto algumas organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil da regi\u00e3o fazem esfor\u00e7os para coletar e notificar crimes cometidos contra pessoas trans e de g\u00eanero diverso. Em governos autorit\u00e1rios como os de Cuba e Nicar\u00e1gua, a situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica dificulta. Organiza\u00e7\u00f5es LGBTI+ e de direitos humanos em geral s\u00e3o perseguidas, pois t\u00eam grande incid\u00eancia em den\u00fancias de viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora haja um <a href=\"https:\/\/raceandequality.org\/700\">estudo de 2016<\/a> da Oficina Nacional de Estat\u00edsticas e Informa\u00e7\u00e3o (ONEI) de Cuba que diz haver mais de 3000 pessoas trans vivendo na ilha, n\u00e3o existe um sistema oficial que registre viol\u00eancias contra elas. Por outro lado, organiza\u00e7\u00f5es LGBTI+ n\u00e3o podem coletar livremente essa informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Nicar\u00e1gua est\u00e1 em uma situa\u00e7\u00e3o semelhante. Embora n\u00e3o haja registro oficial de assassinatos, o <a href=\"https:\/\/raceandequality.org\/701\">\u00faltimo informe<\/a> de Observat\u00f3rio de vVola\u00e7\u00f5es de Direitos Humanos de pessoas LGTBIQ+ na Nicar\u00e1gua \u2013 um projeto do Coletivo La Corriente \u2013 aponta que, durante o segundo trimestre de 2022, 10 mulheres trans e 1 pessoa n\u00e3o bin\u00e1ria foram v\u00edtimas de viol\u00eancia. No entanto, o n\u00famero de pessoas trans mortas \u00e9 desconhecido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Brasil, M\u00e9xico e Col\u00f4mbia: os pa\u00edses mais perigosos da regi\u00e3o para pessoas trans<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No in\u00edcio deste m\u00eas, alguns moradores de Ibicara\u00ed, no sul da Bahia (Brasil), ajudaram Kauana Vasconcelos, uma adolescente trans de 16 anos, que havia sido esfaqueada e abandonada em um terreno baldio. Ela foi encaminhada ao Hospital Municipal Arlete Mar\u00f3n, mas n\u00e3o resistiu. A identidade do atacante \u00e9 desconhecida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com os n\u00fameros levantados pelo Observat\u00f3rio de Pessoas Trans Assassinadas, o Brasil responde por 29% dos assassinatos no mundo, o maior percentual globalmente. Do total de 327 assassinatos, 96 ocorreram no Brasil. No ano passado, a Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA) registrou 140 assassinatos de pessoas trans, dos quais 81% eram negras e 78% do total eram profissionais do sexo. Em janeiro do pr\u00f3ximo ano, para o m\u00eas da visibilidade trans, ANTRA divulgar\u00e1 n\u00fameros atualizados sobre assassinatos de pessoas trans.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na Col\u00f4mbia, em julho deste ano, Ana Paula Albino foi assassinada em sua pr\u00f3pria casa. Ela foi violentamente atacada com uma arma afiada e depois sufocada. O assassino, identificado por c\u00e2meras de seguran\u00e7a, est\u00e1 sendo indiciado. Depois do Brasil (96) e do M\u00e9xico (56), a Col\u00f4mbia \u00e9 um dos pa\u00edses mais perigosos da regi\u00e3o para pessoas trans. At\u00e9 agora neste ano, h\u00e1 um recorde de 28 pessoas trans assassinadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Justi\u00e7a para Seb e Rodri<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O mundo inteiro ficou chocado com a morte suspeita de Rodrigo Ventocilla enquanto estava sob cust\u00f3dia policial na Indon\u00e9sia. Ele e seu marido Sebastian Marallano, dois jovens ativistas peruanos, viajaram para Bali no dia 6 de agosto deste ano para comemorar sua lua de mel. Na Indon\u00e9sia, Rodrigo foi detido arbitrariamente depois que agentes de seguran\u00e7a do aeroporto de Denpasar viram que seu documento de identifica\u00e7\u00e3o diferia de sua express\u00e3o de g\u00eanero. Ele foi revistado e acusado de tr\u00e1fico de drogas ao encontrar em seus pertences rem\u00e9dios para sua sa\u00fade mental, apesar de ter receita m\u00e9dica. Embora n\u00e3o houvesse acusa\u00e7\u00f5es contra Sebastian, ambos foram levados sob cust\u00f3dia pela pol\u00edcia local. No dia 9 de agosto, os dois foram transferidos para o Hospital da Pol\u00edcia por sofrerem uma suposta descompensa\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, Os m\u00e9dicos n\u00e3o realizaram exames de sangue ou urina por falta de equipamentos, conforme indicaram. Os companheiros de <a href=\"https:\/\/raceandequality.org\/702\">Harvar<\/a><a href=\"https:\/\/raceandequality.org\/702\">d Kennedy School<\/a> de Rodrigo, que estava fazendo mestrado em Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica, assim como seus advogados, foram impedidos de v\u00ea-los. Rodrigo morreu no dia 11 de agosto em circunst\u00e2ncias que as autoridades indon\u00e9sias n\u00e3o puderam esclarecer. No total, eles passaram cinco dias sob cust\u00f3dia. As fam\u00edlias <u>denunciam<\/u> extors\u00e3o e tortura por transfobia e racismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Peru, tamb\u00e9m n\u00e3o se sabe ao certo quantas pessoas trans s\u00e3o assassinadas, j\u00e1 que crimes baseados em preconceito n\u00e3o s\u00e3o caracterizados como tal pela justi\u00e7a peruana. Muitas pessoas trans e LGBI+ s\u00e3o criminalizadas, patologizadas e discriminadas por institui\u00e7\u00f5es estatais. Apenas o Observat\u00f3rio de Pessoas Trans Assassinadas registrou tr\u00eas mortes este ano. O discurso de \u00f3dio e a cobertura negativa e preconceituosa da m\u00eddia alimentam a estigmatiza\u00e7\u00e3o e a exclus\u00e3o social contra pessoas trans.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Rep\u00fablica Dominicana<\/strong><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No in\u00edcio deste m\u00eas, a organiza\u00e7\u00e3o TRANSA (Trans Siempre Amigas) publicou um \u00a0<a href=\"https:\/\/raceandequality.org\/1514\">comunicado<\/a> com a Red Sin Violencia LGBTI e o Observat\u00f3rio dos Direitos Humanos das Pessoas Trans (ODHPT) para alertar as autoridades sobre desaparecimentos e assassinatos de pessoas LGBTI+ no pa\u00eds. &#8220;Exigimos que as autoridades d\u00eaem prioridade a este problema, sabemos que o n\u00famero de pessoas desaparecidas aumentou, mas o n\u00famero de pessoal e os recursos tecnol\u00f3gicos ainda s\u00e3o insuficientes para encontrar a busca r\u00e1pida e eficaz&#8230;&#8221;. At\u00e9 agora neste ano, TRANSSA registrou o assassinato de uma pessoa trans.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Medidas urgentes<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ra\u00e7a e Igualdade aproveita para recordar aos Estados a sua obriga\u00e7\u00e3o de respeitar e garantir os direitos de todas as pessoas sem qualquer tipo de discrimina\u00e7\u00e3o. Por isso, fazemos as seguintes recomenda\u00e7\u00f5es:<\/p>\n<ul>\n<li style=\"text-align: justify;\">Coletar sistematicamente dados sobre atos de viol\u00eancia e homic\u00eddios contra pessoas transexuais, desagregados por identidade de g\u00eanero, orienta\u00e7\u00e3o sexual, identidade \u00e9tnico-racial e faixa et\u00e1ria.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Adotar leis e pol\u00edticas necess\u00e1rias para garantir o reconhecimento, respeito e inclus\u00e3o de pessoas trans e de g\u00eanero diverso.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Estabelecer mecanismos especiais de resposta a a\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia e homic\u00eddios contra pessoas LGBTI+ e trans, que levem ao esclarecimento dos fatos e \u00e0 puni\u00e7\u00e3o dos respons\u00e1veis, bem como ao estabelecimento de garantias de n\u00e3o repeti\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Monitorar e punir publicamente os discursos transf\u00f3bicos reproduzidos em institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e privadas e na m\u00eddia que incorrem em den\u00fancias de discrimina\u00e7\u00e3o e viol\u00eancia contra a popula\u00e7\u00e3o trans.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Promover, no \u00e2mbito institucional e nos canais oficiais, uma campanha de educa\u00e7\u00e3o e conscientiza\u00e7\u00e3o sobre orienta\u00e7\u00e3o sexual e identidade de g\u00eanero entre a popula\u00e7\u00e3o em geral, funcion\u00e1rios p\u00fablicos e servidores p\u00fablicos, a fim de gerar um contexto de reconhecimento e respeito \u00e0 integridade e \u00e0 vida de pessoas LGBTI+, trans e de g\u00eanero diverso.<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No Dia da Mem\u00f3ria Trans, destacamos que os crimes de \u00f3dio contra pessoas trans t\u00eam ra\u00e7a, classe e g\u00eanero: a maioria das v\u00edtimas s\u00e3o mulheres trans negras, migrantes e profissionais [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":14601,"parent":0,"menu_order":0,"template":"","format":"standard","categories":[],"resources_country":[1189],"resources_language":[],"resources_audience":[],"resources_format":[],"resources_topic":[],"resources_year":[],"class_list":["post-14600","resources","type-resources","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","resources_country-brasil"],"acf":[],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/resources\/14600","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/resources"}],"about":[{"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/resources"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/14601"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14600"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14600"},{"taxonomy":"resources_country","embeddable":true,"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/resources_country?post=14600"},{"taxonomy":"resources_language","embeddable":true,"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/resources_language?post=14600"},{"taxonomy":"resources_audience","embeddable":true,"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/resources_audience?post=14600"},{"taxonomy":"resources_format","embeddable":true,"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/resources_format?post=14600"},{"taxonomy":"resources_topic","embeddable":true,"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/resources_topic?post=14600"},{"taxonomy":"resources_year","embeddable":true,"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/resources_year?post=14600"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}