{"id":14879,"date":"2022-09-27T21:18:50","date_gmt":"2022-09-27T21:18:50","guid":{"rendered":"http:\/\/race01.wp\/?post_type=resources&#038;p=14879"},"modified":"2023-08-04T17:52:27","modified_gmt":"2023-08-04T17:52:27","slug":"afro-latines-advocacy-week-raca-e-igualdade-reune-organizacoes-do-brasil-e-da-colombia-em-washington-d-c","status":"publish","type":"resources","link":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/resources\/afro-latines-advocacy-week-raca-e-igualdade-reune-organizacoes-do-brasil-e-da-colombia-em-washington-d-c\/","title":{"rendered":"Afro-latines Advocacy Week: Ra\u00e7a e Igualdade re\u00fane organiza\u00e7\u00f5es do Brasil e da Col\u00f4mbia em Washington D.C."},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Washington D.C., 27 de setembro de 2022 \u2013 <\/strong>De 27 a 30 de setembro, o Instituto Internacional sobre Ra\u00e7a, Igualdade e Direitos Humanos (Ra\u00e7a e Igualdade) re\u00fane, em Washington D.C, organiza\u00e7\u00f5es de direitos humanos do Brasil e da Col\u00f4mbia, que trabalham com a promo\u00e7\u00e3o e defesa dos direitos da popula\u00e7\u00e3o negra e LGBTI+. Com o objetivo de promover um interc\u00e2mbio de estrat\u00e9gias de <em>advocacy<\/em> pol\u00edtico entre o movimento afro-latino e o movimento negro estadunidense, os encontros v\u00e3o acontecer no marco da <a href=\"https:\/\/raceandequality.org\/1467\"><em>\u2018Black Caucus Week\u2019<\/em><\/a>; confer\u00eancia anual de congressistas negros norte-americanos que visa impulsionar e debater o engajamento c\u00edvico da popula\u00e7\u00e3o negra. Ademais, a delega\u00e7\u00e3o participar\u00e1 de encontros acad\u00eamicos, com organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil norte-americanas e de reuni\u00f5es privadas com os congressistas e com departamentos do Estado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A delega\u00e7\u00e3o Brasil-Col\u00f4mbia presente em Washington D.C \u00e9 formada pelas organiza\u00e7\u00f5es: <strong>Geled\u00e9s \u2013 Instituto da Mulher Negra<\/strong> <strong>(BR)<\/strong> que ser\u00e1 representada por Rodnei Jeric\u00f3 da Silva, Coordenador do SOS Racismo; <strong>ONG Criola<\/strong> <strong>(BR)<\/strong> com a presen\u00e7a da Coordenadora de Projetos, Lia Manso; <strong><em>Somos Identidad<\/em><\/strong> <strong>(COL),<\/strong> com sua Fundadora Johana Sinisterra e a Representante Jur\u00eddica Sandra Milena Ibarbo; e a <strong><em>Asociaci\u00f3n Nacional de Afrocolombianos Desplazados<\/em><\/strong> <strong>(AFRODES &#8211; COL),<\/strong> com a presen\u00e7a da Coordenadora Luz Marina Becerra. Representando <strong>Ra\u00e7a e Igualdade<\/strong>, estar\u00e3o presentes nestes encontros o Diretor Executivo, Carlos Quesada, Zuleika Rivera, Oficial S\u00eanior do Programa LGBTI e a Oficial do Programa Brasil, Nathaly Calixto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste interc\u00e2mbio entre a Am\u00e9rica negra, as organiza\u00e7\u00f5es latino-americanas visam levar as perspectivas negras e LGBTI+ da di\u00e1spora do sul global almejando uma incid\u00eancia pol\u00edtica efetiva, al\u00e9m de trocas de boas pr\u00e1ticas para que possam caminhar juntas para alcan\u00e7ar uma justi\u00e7a racial plural. Importante ressaltar que, para Ra\u00e7a e Igualdade, a realiza\u00e7\u00e3o destes encontros concretiza-se como uma oportunidade de promover estrat\u00e9gias de mudan\u00e7as pol\u00edticas estruturais com vi\u00e9s interseccional; uma vez que o Brasil se encontra em per\u00edodo eleitoral, Col\u00f4mbia tem em posse um Presidente que em seu plano de governo preza pelas pautas raciais e, neste ano, o Congresso norte-americano passa pela <em>midterms<\/em>, elei\u00e7\u00f5es que elege os membros do parlamento americano.<\/p>\n<blockquote><p><strong>\u201c\u00c9 justamente nessa configura\u00e7\u00e3o que capacitamos as organiza\u00e7\u00f5es para atuarem com incid\u00eancia pol\u00edtica. Poder conversar com congressistas negros norte-americanos sobre a pauta racial latino-americana \u00e9 uma maneira de influenciar o governo Biden, pois ele precisa de uma maioria do Congresso para aprovar suas pautas. \u00c9 nesse sentido, que planejamos assegurar e fortalecer os acordos de direitos humanos internacionais de justi\u00e7a racial e de g\u00eanero e, nesse caso, nada melhor do que as organiza\u00e7\u00f5es para pautarem as demandas de seus pa\u00edses\u201d, afirma Carlos Quesada.<\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Brasil e Col\u00f4mbia: em busca da justi\u00e7a racial<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Visto que a comunidade acad\u00eamica norte-americana busca compreender e fomentar os estudos sobre a di\u00e1spora negra, a delega\u00e7\u00e3o BRA-COL ir\u00e1 se reunir com acad\u00eamicos e alunos da <strong>Universidade de Howard<\/strong> para compartilhar os esfor\u00e7os das organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil regional na defesa dos direitos humanos. A ideia \u00e9 mostrar que mesmo o racismo sendo uma quest\u00e3o global, as diferentes din\u00e2micas socioculturais e os contextos econ\u00f4micos deficit\u00e1rios frutos de s\u00e9culos de colonialismo, impactam prioritariamente nas popula\u00e7\u00f5es mais vulnerabilizadas na Am\u00e9rica Latina e Afro-Caribenha. Neste caso, dar conhecimento da agenda racial e de equidade de g\u00eanero destas organiza\u00e7\u00f5es, pode estimular estudos que proporcionem, futuramente, constru\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas globais equitativas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Brasil, por exemplo, \u00e9 o pa\u00eds que mais mata pessoas LGBTI+ no mundo, e essa taxa de incid\u00eancia atravessada pela perspectiva interseccional, \u00e9 maior em mulheres trans negras em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade. As organiza\u00e7\u00f5es Geled\u00e9s e Criola, junto \u00e0 Ra\u00e7a e Igualdade no Brasil, realizaram uma pesquisa de monitoramento do fechamento dos espa\u00e7os c\u00edvicos, na qual mapearam que a ascens\u00e3o de uma agenda ultraconservadora que vem gerando ataques ao sistema democr\u00e1tico brasileiro, criminaliza\u00e7\u00e3o dos defensores dos direitos humanos e a imobiliza\u00e7\u00e3o dos canais de participa\u00e7\u00e3o cidad\u00e3 em conselhos e associa\u00e7\u00f5es. Com isso, \u00e9 crescente os ataques e discurso de \u00f3dio contra mulheres negras e LBTIs eleitas e que intencionem participar da vida pol\u00edtica do pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na Col\u00f4mbia, durante anos a comunidade afro-colombiana vem sofrendo um processo de marginaliza\u00e7\u00e3o e vulnerabiliza\u00e7\u00e3o, sendo denunciado pela sociedade civil e lideran\u00e7as afro-colombianas a exist\u00eancia de um apartheid geogr\u00e1fico refor\u00e7ado pelo racismo estrutural e institucional. Essa mesma estrutura ressoa no apagamento da luta por exist\u00eancia dos povos \u00e9tnicos, que refor\u00e7am que os direitos civis no pa\u00eds devem ser pensados em perspectivas pluri\u00e9tnica e multicultural, tendo em conta como a viol\u00eancia racista impacta nestes territ\u00f3rios e nos corpos racializados. Do mesmo modo, para pessoas LGBTI+ colombianas o cen\u00e1rio de viol\u00eancia de g\u00eanero e racial segue crescente, <a href=\"https:\/\/raceandequality.org\/1468\">de janeiro a junho de 2022<\/a>, foram registradas 354 v\u00edtimas de agress\u00f5es por orienta\u00e7\u00e3o sexual, sendo que 324 sofreram algum abuso f\u00edsico e 229 sofreram esses abusos dentro da pr\u00f3pria fam\u00edlia<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O uso excessivo da for\u00e7a policial tanto no Brasil quanto na Col\u00f4mbia, \u00e9 uma den\u00fancia recorrente perante os mecanismos internacionais de direitos humanos. O conflito armado na Col\u00f4mbia e as for\u00e7as policiais no Brasil se intercruzam no perfil de suas v\u00edtimas: pessoas negras em condi\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade que vivem em territ\u00f3rios cuja presen\u00e7a do Estado \u00e9 marcada pela viol\u00eancia policial. Na Col\u00f4mbia, ao menos 1.144.486 pessoas que se identificaram como parte da popula\u00e7\u00e3o negra foram registradas como v\u00edtimas do conflito armado, segundo dados da <a href=\"https:\/\/raceandequality.org\/1468\">Rede Nacional de Informa\u00e7\u00e3o<\/a>, o que corresponde 38,38% do total. No Brasil, o <a href=\"https:\/\/raceandequality.org\/1469\">Anu\u00e1rio Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica<\/a>, aponta que do total de 6.145 mortes por interven\u00e7\u00e3o policial, em 2021, 84,1% eram negras e 15,8% eram brancas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por que a popula\u00e7\u00e3o negra \u00e9 vista como uma amea\u00e7a? <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para al\u00e9m desta pergunta e de muitas outras que perpassam a estrutura racista que fundam as corpora\u00e7\u00f5es policiais da Am\u00e9rica Latina, Ra\u00e7a e Igualdade em parceria com organiza\u00e7\u00f5es do Brasil e da Col\u00f4mbia, seguem em um projeto regional no enfrentamento e den\u00fancia da viol\u00eancia policial racista em ambos os pa\u00edses. De cara a este encontro em Washington D.C., a viol\u00eancia policial que atravessa a popula\u00e7\u00e3o negra e LGBTI+ tamb\u00e9m ser\u00e1 tema das reuni\u00f5es para aplacar esse <em>modus operandi<\/em> colonial, no qual corpos negros est\u00e3o isentos da prerrogativa de inoc\u00eancia e, por existirem, s\u00e3o v\u00edtimas de toda viol\u00eancia e vistos como uma amea\u00e7a, seja nos pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina ou nos Estados Unidos da Am\u00e9rica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diante disto, o racismo, a viol\u00eancia de g\u00eanero e a LGBTIfobia representam a real amea\u00e7a a um sistema de opress\u00e3o que desrespeita os direitos humanos inalien\u00e1veis e os tratados internacionais que prezam por suas garantias. Por isso, Ra\u00e7a e Igualdade junto a delega\u00e7\u00e3o BR-COL pretendem denunciar ao Congresso Americano os atuais marcos de viola\u00e7\u00e3o dos direitos da popula\u00e7\u00e3o negra e LGBTI+ latino-americana. O interc\u00e2mbio destas vozes dissidentes reafirma o prop\u00f3sito de seguir denunciando o racismo e suas diferentes formas de viol\u00eancia que impedem o pleno exerc\u00edcio da cidadania, a liberdade de express\u00e3o e o direito ao desenvolvimento desses pa\u00edses como um chamado de parceria e inclus\u00e3o a popula\u00e7\u00e3o negra de todas as Am\u00e9ricas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Washington D.C., 27 de setembro de 2022 \u2013 De 27 a 30 de setembro, o Instituto Internacional sobre Ra\u00e7a, Igualdade e Direitos Humanos (Ra\u00e7a e Igualdade) re\u00fane, em Washington D.C, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":14495,"parent":0,"menu_order":0,"template":"","format":"standard","categories":[],"resources_country":[1190,1192],"resources_language":[],"resources_audience":[],"resources_format":[],"resources_topic":[1103,1110],"resources_year":[],"class_list":["post-14879","resources","type-resources","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","resources_country-brasil-pt-br","resources_country-colombia-pt-br","resources_topic-lgbti-pt-br","resources_topic-raca-e-igualdade"],"acf":[],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/resources\/14879","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/resources"}],"about":[{"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/resources"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/14495"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14879"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14879"},{"taxonomy":"resources_country","embeddable":true,"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/resources_country?post=14879"},{"taxonomy":"resources_language","embeddable":true,"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/resources_language?post=14879"},{"taxonomy":"resources_audience","embeddable":true,"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/resources_audience?post=14879"},{"taxonomy":"resources_format","embeddable":true,"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/resources_format?post=14879"},{"taxonomy":"resources_topic","embeddable":true,"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/resources_topic?post=14879"},{"taxonomy":"resources_year","embeddable":true,"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/resources_year?post=14879"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}