{"id":19011,"date":"2024-09-23T14:26:13","date_gmt":"2024-09-23T14:26:13","guid":{"rendered":"https:\/\/raceandequality.org\/?post_type=resources&#038;p=19011"},"modified":"2024-09-23T14:30:42","modified_gmt":"2024-09-23T14:30:42","slug":"reconhecimento-e-visibilidade-bissexual-obstaculos-enfrentados-por-pessoas-bissexuais","status":"publish","type":"resources","link":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/resources\/reconhecimento-e-visibilidade-bissexual-obstaculos-enfrentados-por-pessoas-bissexuais\/","title":{"rendered":"Reconhecimento e visibilidade bissexual: obst\u00e1culos enfrentados por pessoas bissexuais"},"content":{"rendered":"<p><b>Washington DC, 23 de setembro de 2024 <\/b><span style=\"font-weight: 400;\">&#8211; Como todos os anos, o Dia Internacional da Visibilidade Bissexual oferece uma oportunidade, em n\u00edvel global, para o reconhecimento da identidade bissexual como parte importante da diversidade sexual e de g\u00eanero. O Instituto sobre Ra\u00e7a, Igualdade e Direitos Humanos (Ra\u00e7a e Igualdade) valoriza e homenageia os defensores dos direitos humanos bissexuais que contribuem para a visibilidade bissexual, desafiando binarismos e estigmas e abordando as barreiras que limitam a igualdade de acesso \u00e0s oportunidades e ao exerc\u00edcio de seus direitos fundamentais.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Apesar dos avan\u00e7os na luta pelos direitos LGBTI+, as pessoas bissexuais continuam enfrentando discrimina\u00e7\u00e3o e viol\u00eancia em diversas \u00e1reas de suas vidas, desde o acesso a cargos p\u00fablicos at\u00e9 o atendimento no setor de sa\u00fade; sofrem bullying nas escolas e enfrentam dificuldades em serem reconhecidas em espa\u00e7os da luta ativista.<\/span><\/p>\n<p><b>Obst\u00e1culos ao acesso a cargos p\u00fablicos<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Pessoas bissexuais muitas vezes confrontam-se com uma not\u00e1vel falta de representa\u00e7\u00e3o em cargos p\u00fablicos. Esse d\u00e9ficit perpetua a invisibilidade e os estere\u00f3tipos negativos que afetam suas vidas. A percep\u00e7\u00e3o de que a bissexualidade \u00e9 uma &#8220;fase&#8221; ou uma identidade menos leg\u00edtima do que outras contribui para a exclus\u00e3o de pessoas bissexuais dos espa\u00e7os de defesa e tomada de decis\u00e3o. Liandra Paz, Coordenadora do projeto Escola de Forma\u00e7\u00e3o Cr\u00edtica Majorie Marchi do grupo Conex\u00e3o G de Cidadania LGBT em favelas do Brasil, nos trouxe um exemplo: &#8220;Uma pessoa bissexual que ocupou um cargo p\u00fablico foi Marielle Franco, uma vereadora do Rio de Janeiro, cuja orienta\u00e7\u00e3o sexual \u00e9 muitas vezes erroneamente reduzida \u00e0 de uma mulher l\u00e9sbica, mesmo sendo uma mulher bissexual. Marielle \u00e9 constantemente referida como l\u00e9sbica, refletindo a dificuldade que a sociedade tem em reconhecer a complexidade e a legitimidade das identidades bissexuais. Ap\u00f3s sua morte, a pr\u00f3pria fam\u00edlia de Marielle reivindicou publicamente sua bissexualidade, lutando contra a elimina\u00e7\u00e3o dessa parte fundamental de sua identidade.&#8221;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Essa falta de representa\u00e7\u00e3o acaba exacerbando as barreiras estruturais e limitando a capacidade das pessoas bissexuais de defender pol\u00edticas espec\u00edficas. &#8220;Por isso, a luta pela visibilidade bissexual, tanto no espa\u00e7o pol\u00edtico quanto na sociedade em geral, \u00e9 vital. A representa\u00e7\u00e3o de parlamentares como Marielle Franco n\u00e3o s\u00f3 amplia o escopo das pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas para os direitos LGBTI+, como tamb\u00e9m enfrenta diretamente a elimina\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica da bissexualidade&#8221;, concluiu.<\/span><\/p>\n<p><b>Desafios no setor da sa\u00fade<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">&#8220;Quando se trata de preven\u00e7\u00e3o e tratamento de infec\u00e7\u00f5es sexualmente transmiss\u00edveis, a educa\u00e7\u00e3o e os recursos dispon\u00edveis muitas vezes n\u00e3o s\u00e3o adaptados \u00e0s nossas realidades; quando pe\u00e7o rotineiramente exames de sa\u00fade sexual, presume-se que isso seja porque sou bissexual, o que significa para eles &#8216;ser prom\u00edscua&#8217;. Honestamente, prefiro ler e procurar informa\u00e7\u00f5es de minha parte; e me poupar do momento dif\u00edcil ou de me sentir discriminada na frente de um estranho sobre minha orienta\u00e7\u00e3o sexual&#8221;, disse Ana G\u00f3mez, uma ativista bissexual independente da Col\u00f4mbia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Na regi\u00e3o, os profissionais de sa\u00fade muitas vezes carecem de treinamento adequado para atender \u00e0s necessidades espec\u00edficas das pessoas bissexuais, e a pesquisa em sa\u00fade exclui suas experi\u00eancias, como observado em uma <a href=\"https:\/\/www.ohchr.org\/es\/statements\/2018\/09\/bi-visibility-day\">declara\u00e7\u00e3o<\/a> de 2018 da Comiss\u00e3o Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) e de especialistas em direitos humanos das Na\u00e7\u00f5es Unidas, impossibilitando a compreens\u00e3o do tema. Como resultado, as pessoas bissexuais t\u00eam cuidados inadequados, diagn\u00f3sticos incorretos, falta de compreens\u00e3o e sofrem discrimina\u00e7\u00e3o e abuso. O acesso e a qualidade dos cuidados no setor da sa\u00fade s\u00e3o \u00e1reas cr\u00edticas que os Estados ainda precisam trabalhar para melhorar.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">&#8220;Embora a sa\u00fade seja um direito constitucional na Col\u00f4mbia, na pr\u00e1tica, o acesso a servi\u00e7os de qualidade tornou-se um privil\u00e9gio. (\u2026) para quem vive em \u00e1reas rurais, essas situa\u00e7\u00f5es s\u00e3o ainda mais complicadas: enfrentam maiores barreiras de acesso e uma estigmatiza\u00e7\u00e3o t\u00e3o forte que muitas vezes n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o ou energia para se identificar como bissexual&#8221;, completou Ana. Desse modo, esse contexto n\u00e3o apenas coloca em risco a sa\u00fade f\u00edsica e mental das pessoas bissexuais, mas tamb\u00e9m perpetua a desigualdade.<\/span><\/p>\n<p><b>Bullying bif\u00f3bico nas escolas<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O bullying de estudantes que se identificam como bissexuais \u00e9 expresso com coment\u00e1rios depreciativos, humilha\u00e7\u00e3o, exclus\u00e3o e agress\u00e3o psicol\u00f3gica e f\u00edsica, o que n\u00e3o s\u00f3 impacta negativamente o bem-estar emocional e acad\u00eamico, mas tamb\u00e9m contribui para uma cultura de sil\u00eancio e medo que refor\u00e7a a invisibilidade. &#8220;\u00c9 muito importante incluir experi\u00eancias bissexuais e ser mencionado em curr\u00edculos e conversas acad\u00eamicas. Educar sobre a diversidade sexual e de g\u00eanero, que n\u00e3o tem nada a ver com monossexualidade&#8221;, disse Fhran Medina, advogado bissexual da <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Fraternidad Trans Masculina Per\u00fa.<\/span><\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Portanto, \u00e9 essencial que os Estados adotem pol\u00edticas nacionais para garantir que crian\u00e7as, adolescentes e jovens, independentemente da orienta\u00e7\u00e3o sexual, possam aprender e se desenvolver em um ambiente seguro e respeitoso.<\/span><\/p>\n<p><b>Barreiras em espa\u00e7os de ativismo e luta social<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em muitos casos, depois de fugir de casa para preservar sua integridade f\u00edsica e mental, as pessoas bissexuais buscam ref\u00fagio em espa\u00e7os LGBTI+ organizados, disse-nos Cristiana Huerta, Presidente da Associa\u00e7\u00e3o Feminista <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Las Malcriadas<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, na Nicar\u00e1gua; no entanto, descobrem que n\u00e3o s\u00e3o totalmente compreendidos devido ao bin\u00e1rio de g\u00eanero. E assim, s\u00e3o frequentemente exclu\u00eddos ou minimizados por suas contribui\u00e7\u00f5es dentro dos movimentos LGBTI+ devido \u00e0 cren\u00e7a de que sua identidade n\u00e3o \u00e9 &#8220;relevante o suficiente&#8221;.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A editora cubana, Karla Ma. P\u00e9rez Gonz\u00e1lez, concorda: &#8220;as pessoas bissexuais, como em muitos outros pa\u00edses, s\u00e3o invis\u00edveis e se perdem na sigla LGBTI+. Eu teria que dizer que nos \u00faltimos anos houve uma mudan\u00e7a social not\u00e1vel nas atitudes em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s pessoas LGBTI+.&#8221; Al\u00e9m disso, ela destacou que o governo cubano tomou algumas iniciativas, mas apenas para limpar sua imagem em n\u00edvel internacional e n\u00e3o h\u00e1 interesse real em mudar paradigmas. &#8220;A discrimina\u00e7\u00e3o ainda \u00e9 algo que acontece diariamente e n\u00e3o podemos esquecer a hist\u00f3ria repressiva do regime em rela\u00e7\u00e3o aos dissidentes sexuais&#8221;, destacou.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Essa falta de reconhecimento limita a capacidade das pessoas bissexuais de influenciar a agenda LGBTI+, posicionar suas demandas e estrat\u00e9gias no ativismo. Por isso, em Ra\u00e7a e Igualdade, acreditamos que somente a representa\u00e7\u00e3o e a participa\u00e7\u00e3o aut\u00eantica da diversidade bissexual em espa\u00e7os de articula\u00e7\u00e3o e luta pelos direitos humanos alcan\u00e7ar\u00e3o um progresso real em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 equidade.<\/span><\/p>\n<p><b>Recomenda\u00e7\u00f5es para os Estados<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para enfrentar os desafios e garantir os direitos das pessoas bissexuais, retomamos algumas recomenda\u00e7\u00f5es que as Na\u00e7\u00f5es Unidas fizeram aos Estados:<\/span><\/p>\n<ol>\n<li><span style=\"font-weight: 400;\"> \u00a0 \u00a0 \u00a0 <\/span> <span style=\"font-weight: 400;\">Investigar e processar atos de viol\u00eancia, tortura e maus-tratos cometidos contra pessoas bissexuais e aqueles que defendem seus direitos, e fornecer repara\u00e7\u00f5es \u00e0s v\u00edtimas de tais atos.<\/span><\/li>\n<li><span style=\"font-weight: 400;\"> \u00a0 \u00a0 \u00a0 <\/span> <span style=\"font-weight: 400;\">Aumentar a conscientiza\u00e7\u00e3o entre os profissionais de sa\u00fade e garantir que as pessoas bissexuais e suas fam\u00edlias tenham acesso a servi\u00e7os de sa\u00fade seguros e n\u00e3o discriminat\u00f3rios que levem em considera\u00e7\u00e3o seus interesses espec\u00edficos.<\/span><\/li>\n<li><span style=\"font-weight: 400;\"> \u00a0 \u00a0 \u00a0 <\/span> <span style=\"font-weight: 400;\">Aumentar a conscientiza\u00e7\u00e3o sobre a bissexualidade por meio do sistema educacional e dissipar estere\u00f3tipos e preconceitos negativos por meio de campanhas de conscientiza\u00e7\u00e3o p\u00fablica.<\/span><\/li>\n<li><span style=\"font-weight: 400;\"> \u00a0 \u00a0 \u00a0 <\/span> <span style=\"font-weight: 400;\">Garantir que as pessoas bissexuais e as organiza\u00e7\u00f5es bissexuais sejam consultadas no desenvolvimento de pesquisas e no desenvolvimento de legisla\u00e7\u00e3o e pol\u00edticas que afetem seus direitos e que sua participa\u00e7\u00e3o em tais processos seja incentivada.<\/span><\/li>\n<\/ol>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">5. \u00a0 \u00a0 \u00a0 <\/span> <span style=\"font-weight: 400;\">Apoiar pesquisas que gerem dados desagregados sobre a situa\u00e7\u00e3o espec\u00edfica das pessoas bissexuais, por exemplo, no que diz respeito \u00e0 pobreza, emprego, moradia, sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e acesso a servi\u00e7os p\u00fablicos.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Washington DC, 23 de setembro de 2024 &#8211; Como todos os anos, o Dia Internacional da Visibilidade Bissexual oferece uma oportunidade, em n\u00edvel global, para o reconhecimento da identidade bissexual [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":19015,"parent":0,"menu_order":0,"template":"","format":"standard","categories":[1310],"resources_country":[],"resources_language":[],"resources_audience":[],"resources_format":[],"resources_topic":[1103,1118],"resources_year":[],"class_list":["post-19011","resources","type-resources","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-onu-pt-br","resources_topic-lgbti-pt-br","resources_topic-onu-pt-br"],"acf":[],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/resources\/19011","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/resources"}],"about":[{"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/resources"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/19015"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19011"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19011"},{"taxonomy":"resources_country","embeddable":true,"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/resources_country?post=19011"},{"taxonomy":"resources_language","embeddable":true,"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/resources_language?post=19011"},{"taxonomy":"resources_audience","embeddable":true,"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/resources_audience?post=19011"},{"taxonomy":"resources_format","embeddable":true,"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/resources_format?post=19011"},{"taxonomy":"resources_topic","embeddable":true,"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/resources_topic?post=19011"},{"taxonomy":"resources_year","embeddable":true,"href":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/resources_year?post=19011"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}