{"id":19101,"date":"2024-10-16T16:40:25","date_gmt":"2024-10-16T16:40:25","guid":{"rendered":"https:\/\/raceandequality.org\/?post_type=resources&#038;p=19101"},"modified":"2024-10-16T20:32:44","modified_gmt":"2024-10-16T20:32:44","slug":"diante-da-ascensao-da-extrema-direita-na-america-latina-liderancas-afrodescendentes-indigenas-e-lgbti-participaram-de-reunioes-de-advocacy-em-washington-d-c","status":"publish","type":"resources","link":"https:\/\/raceandequality.org\/pt-br\/resources\/diante-da-ascensao-da-extrema-direita-na-america-latina-liderancas-afrodescendentes-indigenas-e-lgbti-participaram-de-reunioes-de-advocacy-em-washington-d-c\/","title":{"rendered":"Diante da ascens\u00e3o da extrema-direita na Am\u00e9rica Latina, lideran\u00e7as afrodescendentes, ind\u00edgenas e LGBTI+ participaram de reuni\u00f5es de advocacy em Washington D.C."},"content":{"rendered":"<p><b>Washington D.C., 16 de outubro de 2024 &#8211;<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> Diante da crescente influ\u00eancia de movimentos de extrema-direita e do preocupante avan\u00e7o de agendas racistas e xenof\u00f3bicas na Am\u00e9rica Latina e no Caribe, uma delega\u00e7\u00e3o de lideran\u00e7as afrodescendentes, ind\u00edgenas e LGBTI+, liderada pelo Instituto sobre Ra\u00e7a, Igualdade e Direitos Humanos (Ra\u00e7a e Igualdade), realizou reuni\u00f5es importantes de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">advocacy<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> em Washington D.C., com o Congresso Norte-Americano, o Departamento de Estado e a Comiss\u00e3o Interamericana de Direitos Humanos (CIDH). Durante as reuni\u00f5es, a delega\u00e7\u00e3o apresentou solu\u00e7\u00f5es e perspectivas cr\u00edticas para problemas como a discrimina\u00e7\u00e3o racial e de g\u00eanero, a brutalidade policial e a falta sistem\u00e1tica de acesso a servi\u00e7os essenciais como a sa\u00fade e a educa\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A delega\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m apresentou recomenda\u00e7\u00f5es para promover a formula\u00e7\u00e3o e a integra\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas mais inclusivas e equitativas em tratados-chave, como o Plano de A\u00e7\u00e3o Conjunta Brasil-EUA para Eliminar a Discrimina\u00e7\u00e3o Racial e \u00c9tnica e Promover a Igualdade (JAPER), o Plano para a Elimina\u00e7\u00e3o da Discrimina\u00e7\u00e3o Racial nas Am\u00e9ricas (CAPREE) e a Declara\u00e7\u00e3o da Parceria Norte-Americana para a Equidade e a Justi\u00e7a Racial.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Durante as reuni\u00f5es, <\/span><b>Mauricio Ye&#8217;kwana, Diretor Executivo da Hutukara Associa\u00e7\u00e3o Yanomami<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">, abordou a crise de viol\u00eancia enfrentada pelos territ\u00f3rios ind\u00edgenas no Brasil, destacando as constantes amea\u00e7as da minera\u00e7\u00e3o ilegal e a falta de reconhecimento governamental de suas terras ancestrais. Ye&#8217;kwana apontou a neglig\u00eancia do governo em proteg\u00ea-los e a impunidade em torno dos assassinatos de l\u00edderes ind\u00edgenas. Alertou tamb\u00e9m para o preocupante recrutamento de jovens ind\u00edgenas por grupos armados, o que enfraquece a coes\u00e3o comunit\u00e1ria. Al\u00e9m disso, fez um apelo urgente \u00e0 representa\u00e7\u00e3o ind\u00edgena em f\u00f3runs internacionais como a Confer\u00eancia das Partes da ONU (COP), sublinhando a necessidade de reconhecer os povos ind\u00edgenas como guardi\u00f5es essenciais do ambiente.<\/span><\/p>\n<p><b>Bruna Benevides, Presidente da Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA), no Brasil<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">, descreveu as viola\u00e7\u00f5es dos direitos humanos enfrentadas pelas mulheres trans, especialmente as mulheres trans negras. Benevides salientou que o componente racial do transfeminic\u00eddio est\u00e1 profundamente enraizado na sociedade brasileira e que as mulheres trans negras s\u00e3o desproporcionalmente afetadas pela viol\u00eancia e pela exclus\u00e3o. Ela tamb\u00e9m enfatizou a falta de representa\u00e7\u00e3o das pessoas trans nos movimentos antirracistas e que a invisibiliza\u00e7\u00e3o de suas quest\u00f5es dentro dos espa\u00e7os LGBTI+ \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o fundamental.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><b>Lucia Xavier, Coordenadora Geral da Criola (Brasil)<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> alertou para uma onda conservadora que tem assolado o Brasil e aumentado significativamente a viol\u00eancia contra as mulheres negras, tanto cis como trans, que enfrentam m\u00faltiplas barreiras no acesso a recursos b\u00e1sicos devido a pol\u00edticas de financiamento discriminat\u00f3rias. Xavier ressaltou a import\u00e2ncia de uma maior representatividade pol\u00edtica das mulheres negras, assim como pol\u00edticas p\u00fablicas efetivas que protejam seus direitos e promovam seu Bem-Viver.<\/span><\/p>\n<p><b>Maria Martinez, do <\/b><b><i>Movimiento Socio-Cultural de los Trabajadores Haitianos <\/i><\/b><b>(MOSCTHA)<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">, denunciou a constante amea\u00e7a de expuls\u00e3o e a brutalidade policial sofrida pelos migrantes haitianos na Rep\u00fablica Dominicana. A recente pol\u00edtica do governo dominicano de deportar 10.000 haitianos por semana agravou a discrimina\u00e7\u00e3o e o racismo estrutural j\u00e1 sofridos por estas comunidades, sendo as mulheres haitianas particularmente vulner\u00e1veis \u00e0 viol\u00eancia de g\u00eanero. Mart\u00ednez explicou ainda que a falta de reconhecimento civil e a apatridia excluem estas pessoas do acesso a servi\u00e7os b\u00e1sicos como a sa\u00fade e a educa\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><b>Erlendy Cuero, vice-presidente da <\/b><b><i>Asociaci\u00f3n Nacional de Afrocolombianos Desplazados<\/i><\/b><b> (AFRODES)<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> na Col\u00f4mbia, alertou para a situa\u00e7\u00e3o dos jovens afrodescendentes na Col\u00f4mbia, particularmente afetados pela viol\u00eancia e pelo conflito armado. A discrimina\u00e7\u00e3o racial por parte das for\u00e7as de seguran\u00e7a resultou num aumento alarmante de homic\u00eddios e desaparecimentos for\u00e7ados de jovens afro-colombianos, que s\u00e3o frequentemente estigmatizados e tratados como suspeitos apenas devido \u00e0 cor da sua pele.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><b>Sandra Arizabaleta, Diretora da <\/b><b><i>Fundaci\u00f3n Afrodescendiente por las diversidades sociales y sexuales <\/i><\/b><b>\u00a0\u201cSomos Identidad\u201d (Col\u00f4mbia)<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> explicou como a polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica na Col\u00f4mbia tem exacerbado a viol\u00eancia e a discrimina\u00e7\u00e3o contra os afrodescendentes e as pessoas LGBTI+. Para Arizabaleta, \u00e9 urgente criar pol\u00edticas p\u00fablicas que abordem efetivamente a interseccionalidade entre ra\u00e7a, g\u00eanero e orienta\u00e7\u00e3o sexual, algo que est\u00e1\u00a0 ausente no discurso pol\u00edtico colombiano. Ela tamb\u00e9m denunciou a viol\u00eancia que ainda persiste por parte de grupos armados contra essas popula\u00e7\u00f5es vulner\u00e1veis.<\/span><\/p>\n<p><b>Cecilia Ramirez, Diretora Executiva do <\/b><b><i>Centro para el Desarrollo de la Mujer Negra Peruana <\/i><\/b><b>(CEDEMUNEP)<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">, no Peru, explicou que o plano de desenvolvimento afro-peruano, concebido para melhorar as condi\u00e7\u00f5es destas comunidades, estagnou devido \u00e0 falta de recursos financeiros e de apoio t\u00e9cnico. Ramirez sublinhou ainda que o racismo estrutural continua a ser um obst\u00e1culo ao progresso socioecon\u00f4mico dos afrodescendentes no Peru, que continuam a ter os piores indicadores. Prop\u00f4s a implementa\u00e7\u00e3o de cotas \u00e9tnico-raciais para assegurar a representa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica dos afrodescendentes e dos povos ind\u00edgenas e sublinhou a necessidade de processos de autoidentifica\u00e7\u00e3o mais inclusivos que tenham em conta tanto o g\u00eanero como a etnia.<\/span><\/p>\n<p><b>Patricia Torres Sandoval, representante do <\/b><b><i>Enlace Continental de Mujeres Ind\u00edgenas de las Am\u00e9ricas<\/i><\/b><b> (ECMIA)<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">, centrou a sua interven\u00e7\u00e3o na viol\u00eancia contra as mulheres e jovens mulheres ind\u00edgenas, salientando que esta situa\u00e7\u00e3o \u00e9 agravada pela viol\u00eancia estrutural decorrente do racismo, da pobreza e do colonialismo. Sublinhou tamb\u00e9m o impacto devastador das atividades extrativistas na regi\u00e3o, que n\u00e3o s\u00f3 causam destrui\u00e7\u00e3o ambiental, como tamb\u00e9m aprofundam a pobreza e a exclus\u00e3o social das comunidades ind\u00edgenas, intensificando a viol\u00eancia contra as mulheres. Torres sublinhou que a falta de vontade pol\u00edtica e a aplica\u00e7\u00e3o ineficaz dos acordos internacionais contribuem para a marginaliza\u00e7\u00e3o e exclus\u00e3o destas comunidades, o que exige uma aten\u00e7\u00e3o urgente e sustentada.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Por \u00faltimo, estas lideran\u00e7as apresentaram uma s\u00e9rie de recomenda\u00e7\u00f5es fundamentais \u00e0s autoridades, centradas no refor\u00e7o da representa\u00e7\u00e3o, na promo\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas inclusivas e na garantia da responsabiliza\u00e7\u00e3o:<\/span><\/p>\n<ul>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">Financiar programas que promovam a lideran\u00e7a afro-latina, ind\u00edgena e LGBTI+.\u00a0<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">Fomentar alian\u00e7as entre organiza\u00e7\u00f5es de direitos humanos de base nos EUA e na Am\u00e9rica Latina para refor\u00e7ar suas capacidades e visibilidade.\u00a0<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">Incentivar os governos latino-americanos a adotar legisla\u00e7\u00e3o que proteja as popula\u00e7\u00f5es marginalizadas e promova pol\u00edticas antirracistas e anti-homof\u00f3bicas.\u00a0<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">Assegurar que acordos como o JAPER e o CAPREE abordem ativamente a viol\u00eancia sofrida por estas comunidades.<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">Refor\u00e7ar o controle do financiamento internacional para garantir que os recursos cheguem aos grupos em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade.\u00a0<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">Facilitar o di\u00e1logo entre os governos e a sociedade civil para melhorar a transpar\u00eancia no controle dos direitos humanos e garantir a responsabiliza\u00e7\u00e3o dos respons\u00e1veis por abusos.<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ra\u00e7a e Igualdade apoia firmemente estas recomenda\u00e7\u00f5es e reafirma o seu compromisso de continuar a acompanhar estes l\u00edderes na promo\u00e7\u00e3o das suas vozes nos espa\u00e7os governamentais e em outros espa\u00e7os de defesa.\u00a0 Seguiremos no trabalho da documenta\u00e7\u00e3o das viola\u00e7\u00f5es dos direitos humanos e na elabora\u00e7\u00e3o de propostas que promovam sociedades mais inclusivas, equitativas e respeitosas.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Washington D.C., 16 de outubro de 2024 &#8211; 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